João Salaviza e Renée Nader Messora regressam a Cannes com “A Flor do Buriti”

A dupla João Salaviza e Renée Nader Messora recebeu o Prémio Especial do Júri em Cannes com "Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos"

(Fotos: Divulgação)

Depois de “Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos“, João Salaviza e Renée Nader Messora regressam ao Festival de Cannes com “A Flor do Buriti “, uma longa-metragem que atravessa os últimos 80 anos dos Krahô, dando a conhecer ao espectador um massacre ocorrido em 1940, perpetrado por dois fazendeiros da região.

O filme inicia-se em 1940, onde duas crianças do povo indígena Krahô encontram na escuridão da floresta um boi perigosamente perto da sua aldeia. Era o prenúncio de um violento massacre. Em 1969, durante a Ditadura Militar, o Estado Brasileiro incita muitos dos sobreviventes a integrarem uma unidade militar. Hoje, diante de velhas e novas ameaças, os Krahô seguem caminhando sobre a sua terra sangrada, reinventando diariamente as infinitas formas de resistência.

“O filme nasce do desejo em pensar a relação dos Krahô com a terra, pensar em como essa relação vai sendo elaborada pela comunidade através dos tempos. As diferentes violências sofridas pelos Krahô nos últimos 100 anos também alavancaram um movimento de cuidado e reivindicação da terra como bem maior, condição primeira para que a comunidade possa viver dignamente e no exercício pleno de sua cultura”, explica a realizadora Renée Nader Messora. Já João Salaviza acrescenta: Nós não trabalhamos com um argumento fechado. A questão da terra é a espinha dorsal do filme. Propusemos aos “atores” trabalhar a partir desse eixo, criar um filme que pudesse viajar pelos tempos, pela memória, pelos mitos, mas, que, ao mesmo tempo fosse uma construção em aberto realizada enquanto fossemos filmando. A narrativa foi sendo construída com a Patpro, o Hyjnõ e o Ihjãc, que assinam igualmente o argumento”.

A Flor do Buriti ” foi filmado durante quinze meses, em película 16mm, dentro da Terra Indígena Kraholândia.

Últimas