O Filmfest Hamburg cancelou os seus planos de entregar o Prémio Douglas Sirk ao realizador austríaco Ulrich Seidl, após alegações de exploração infantil contra ele e o seu mais recente projeto, “Sparta“. Porém, o filme fará parte da sua programação.
“Incluímos o filme no programa pela sua excelente qualidade. É um filme muito sensível sobre um assunto particularmente difícil e tabu. As acusações contra Ulrich Seidl são dirigidas contra as condições durante as filmagens e explicitamente não contra o seu filme. “Por isso, decidimos deixar o filme no programa”, disse o certame em comunicado. “Em relação ao Prémio Douglas Sirk, decidimos não conceder o prémio, pois as atuais alegações contra a produção ofuscariam uma cerimonia de premiação”.
A decisão do festival germânico surge após ter sido publicada no Der Spiegel uma investigação onde se relatava que o cineasta omitiu a temática de “Sparta” dos jovens que participaram nas filmagens na Roménia. Seidl e vários elementos da produção negam todas as acusações, tendo cineasta afirmado que os seus filmes nunca eram executados através da “manipulação de atores, deturpação do filme para eles, muito menos de abuso”.
“Sparta” é baseado numa história real e segue um austríaco de 40 anos [irmão do cantor falhado de “Rimini“] que se muda para uma parte remota do país para começar uma nova vida e, juntamente com um grupo de meninos da região, transforma uma escola em ruínas numa fortaleza. Ao longo do processo, no entanto, o homem é forçado a “confrontar uma verdade que reprime há muito tempo. Por dentro, ele luta secretamente contra os seus impulsos pedófilos”.
Recorde-se que “Sparta” viu a sua estreia mundial cancelada no Festival de Toronto. A primeira exibição vai assim decorrer no Festival de San Sebastián.

