Alberto Barbera: “Não podemos pedir à Netflix para produzir um filme e esperar 20 meses para exibi-lo”

(Fotos: Divulgação)

No arranque de mais uma edição do Festival de Veneza, que começou hoje e prolonga-se até ao próximo dia 11, o diretor artístico do certame abordou a temática dos filmes da Netflix surgirem com frequência no programa de Veneza, em oposição ao que acontece no Festival de Cannes.

Alberto Barbera referiu que essa presença no programa na competição ao Leão de Ouro, materializada esta temporada com os novos filmes de Paolo Sorrentino e Jane Campion, é “natural” já que Cannes está alinhada com a legislação francesa, na qual a janela de exibição entre a estreia em sala e a estreia nos mercados de VOD é ainda muito grande. “Não podemos pedir à Netflix para produzir um filme comercialmente e esperar 20 meses para exibi-lo na plataforma”, disse Barbera, referindo-se à lei francesa que exige que todos os filmes presentes na competição do Festival Cannes tenham uma janela de distribuição exclusiva nas salas de cinema. “Portanto, a escolha desses filmes foi um processo bastante natural, que levou Paolo Sorrentino e Jane Campion a virem para Veneza. Claro que isso foi uma grande satisfação para nós.

A liderar o júri este ano em Veneza temos Bong Joon Ho, que fez história no ano passado quando “Parasitas” conquistou o Oscar de melhor filme. Ao lado de Chloé Zhao, a realizadora que venceu o Oscar de Melhor Filme e o Leão de Ouro em Veneza no ano passado por “Nomadland“, a atriz Cynthia Erivo (Harriet), Saverio Costanzo (L’Amica Geniale), Virginie Efire (Benedetta), Alexander Nanau (Colectiv) e Sarah Gadon (Black Bear), o sul coreano abordou os problemas e desafios que a pandemia trouxeram para as salas de cinemas, mas acredita que acima de tudo o Covid-19 representou um teste que o cinema vai superar: “Olhando para trás, parece que foi um teste e mostrou a força vital do cinema (…) Como cineasta, não acredito que a História da 7ª arte e o cinema possa ser interrompida tão facilmente. O COVID vai passar e o cinema vai continuar ”.

O dia de inauguração do Festival de Veneza fica marcado pela exibição de “Madres Paralelas” de Pedro Almodóvar. Barbera revelou que passou anos a cortejar o espanhol para exibir um novo filme em Veneza e como os protocolos do COVID-19 atrasaram a produção, que falhou a estreia em Cannes, Barbera voou para Madrid em meados de julho para assistir ao primeiro cut do filme. “Considero Pedro Almodóvar um dos melhores realizadores do cinema contemporâneo”, disse Barbera, que conta ainda hoje no programa, na abertura da secção Orizzonti, com “Les Promesses“, um thriller político nos meandros do poder local em França com Isabelle Huppert e Reda Kateb no protagonismo.

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