Charlotte Gainsbourg estreou-se na realização com “Jane Par Charlotte”, um documentário que a cantora, atriz e agora realizadora dedica a Jane Birkin, a sua mãe.
Devido ao afastamento das duas, logo após a morte Kate Barry [ filha de Birkin e irmã de Charlotte], este “Jane Par Charlotte” não foi um projeto fácil de concretizar, como a própria Charlotte explicou ao Libération: “O documentário ganhou uma forma tão perigosa e caótica”.
“Já se passaram quatro anos desde que comecei a filmar, depois parei porque ela não gostou”, confessou Charlotte Gainsbourg ao jornal. Jane Birkin chegou mesmo a opor-se ao projeto, mas Charlotte prosseguiu, reconheceu alguns erros e teve a ajuda da própria Birkin para finalmente concretizar o filme, que terá a sua estreia no Festival de Cannes.
As filmagens começaram no Japão, passaram por Nova York e pelo cabo Finisterra, sem esquecer Paris, pela Rue De Verneuil, onde Birkin viveu com Serge Gainsbourg.
“Nunca imaginei que ela estaria tão curiosa sobre mim. Sabia o grande lugar que o Serge tinha na sua vida, assim como a tristeza e a dor que ela passou”, disse Birkin ao Paris Match, acrescentando que não tem dúvidas que o documentário as aproximou. “Também serviu de desculpa para ficarmos juntas, porque estávamos separadas há seis anos. A Charlotte precisou mudar-se para Nova York depois da Kate morrer e percebi essa mudança. Fiquei doente e não pude ir vê-la.“
“Suzanna Andler” estreia em França

Charlotte Gainsbourg retornou nesta quarta-feira, 2 de junho, aos cinemas gauleses com “Suzanna Andler”, adaptação da peça de Marguerite Duras que conta com a assinatura de Benoît Jacquot.
Filmar esta obra foi um desafio para a atriz que aparece em quase todos os planos. Ela é uma mulher casada que encontra-se com o seu amante (Niels Schneider) numa vila no sul da França, enquanto decide o que fazer com a sua vida e casamento.
Jacquot assumiu que Charlotte foi verdadeiramente assombrada pela sua personagem, uma “mulher perdida”, nas palavras da atriz. “O texto foi escrito há muito tempo, está ancorado na década de 1960, mas é muito moderno. (…) Havia muito texto para aprender. Aprendi como uma peça. Um mês antes das filmagens, estudei-o todos os dias. De manhã à noite, fiquei com esse texto, com a angústia de não conseguir, pois não tenho uma memória muito boa. Foi um desafio chegar preparada à data das filmagens. Acho que nunca estive tão bem preparada. Não trabalho assim com os outros guiões. Penso um pouco sobre as personagens, mas raramente sou obcecada pelas palavras, pelas frases. Lá, vivi com essas palavras e essas cenas durante um mês e meio“.
Além de “Suzanne Andler”, no futuro vamos ver Charlotte em “Les Choses humaines” de Yvan Attal, o seu parceiro, e “Les Passagers de la nuit”, o novo filme de Mikhael Hers (Amanda).

