Cerimónia tensa na entrega dos Césars esta noite

Adèle Haenel tinha avisado numa entrevista ao New York Times: “Distinguir Polanski é cuspir na cara das vítimas“. Os membros da Academia francesa responderam com a vitória do franco-polaco na categoria de melhor argumento adaptado e realização.
Imediatamente depois, Adèle Haenel saiu da sala a gesticular e pronunciar: “Que vergonha!“. Atrás dela seguiram Céline Sciamma e outros membros da equipa de Retrato de Uma Mulher Em Chamas. Várias pessoas acabaram por abandonar a sala e não assistiram à entrega do último prémio da noite, de melhor filme, que foi para Os Miseráveis.
adele walking out because polanski won im i cant do this pic.twitter.com/25eMwWKiLh
— sandra oh’s reply guy (@dykedolores) February 28, 2020
A abrir o espétaculo, a anfitriã Florence Foresti abordou logo a questão “Polanski”, mas com humor: “Para ficarmos completamente tranquilos, temos que resolver um caso. Há doze momentos [referência às 12 nomeações de J’Accuse] em que haverá uma preocupação. Que fazemos com o ‘Roro’? Aplaudimos, não aplaudimos? Está fora de questão que resolva isto sozinha, vocês são porreiros, mas vão-se lixar!“
Certo é que a atriz não voltou ao palco após o César de melhor realizador ser concedido a Roman Polanski. Nem ficou para a tradicional fotografia final. À meia-noite e quarenta, Florence Foresti publicou no Instagram uma única palavra em branco, sobre um fundo preto: “Enojada”.

No Twitter, outras personalidades ligadas ao cinema francês têm usado essa imagem com tópico de descontentamento, como Coralie Fargeat, realizadora de Vendeta.
— Coralie Fargeat (@coraliefargeat) February 29, 2020
Recordamos que antes da cerimónia de entrega dos principais prémios do cinema gaulês, vários protestos decorreram nas imediações do local onde decorreu a cerimónia, levando mesmo a intervenção policial, e que ontem de manhã, o próprio ministro da cultura francês, Franck Riester, afirmava que se Polanski ganhasse a categoria de melhor realizador seria “um mau sinal em comparação à consciência necessária que todos devemos ter na luta contra a violência sexual e de género“.

