Realizador e argumentista de Hyde Park em Hudson, comentam o filme que tem sido comparado a O Discurso do Rei.
Pode explicar a vossa forma de colaboração enquanto realizador e argumentista?
Roger Michell – Colaboramos há cerca de 25 anos, e fizemos uma série de peças de teatro. Este é o nosso primeiro filme em conjunto.
E porquê este filme e não uma peça de teatro?
RM – Todas as peças do Roger são sobre as complicações entre os nossos dois países. Este filme é uma exceção, pois trata-se de uma relação entre duas pessoas, dois amantes. É esse lado que me parece fascinante neste trabalho.
Mas de onde vem a origem do projeto?
Richard Nelson – Tudo começou porque esta é uma história muito pessoal. Eu vivo na mesma cidade, a norte de Nova Iorque, onde morou a Daisy. E onde foi encontrada a caixa com as cartas, que trocou com o Presidente Roosevelt, depois de morrer aos 100 anos bem como o seu diário, com algumas páginas rasgadas.
Páginas rasgadas?
RN – Sim, que nós nos incumbimos de reescrever… E imaginar o que poderia estar escrito… (risos)
Os momentos de conteúdos mais erótico entre Daisy e o Presidente?
RN – Sim, o que pensamos que poderia ter acontecido. E, de facto, alguma coisa aconteceu. Essas cartas e o diário acabaram por ser publicados, mas esta ideia permaneceu no meu caderno de notas deste o início dos anos 90. Só que não sabia como a converter numa peça de teatro. Por volta de 2005, acabei por fazer uma versão para rádio desta história. Entretanto, um produtor acabou por evoluir para um filme.
Como responde à comparação que tem sido feita ao filme ‘O Discurso do Rei’?
RM – Já esperava a pergunta. Mas é injusto porque começamos a trabalhar neste projeto primeiro, mas acaba por funcionar até como uma espécie de prequela. É um trailer para o nosso filme. E quando vimos o filme percebemos que as nossas personagens não necessitavam de uma maior definição. Como por exemplo, a gaguez do rei Jorge VI, que é o cerne de ‘O Discurso do Rei’. Mas como se trata de uma época posterior, quando a Inglaterra já estava na Guerra e apenas procurava a ajuda dos Estados Unidos.
E o que acha do ator que faz de Bertie (Rei Jorge VI), o Sam West? Como que assume que as pessoas já conhecem o Rei um pouco melhor…
RM – Sim, é isso. Acho que faz um trabalho notável.
O Bill Murray é também uma escolha extraordinária. Foi uma decisão difícil?
RM – Desde cedo percebi que apenas iria fazer o filme se tivesse o Bill Murray como FDR (Franklin D. Roosevelt). Não conseguia pensar num outro ator que pudesse ser tão doce, galante e eficaz. Poderia pensar noutros atores, mas seria um trabalho sempre insuficiente. Queria que aquele predador sexual tivesse perdão. E não fosse uma espécie de Dominic Strauss Kahn. Esperei um ano para que o Bill concordasse subir a bordo. E ele é o que se vê no ecrã. Simplesmente fantástico.

