A 79.ª edição do Festival de Cannes arrancou esta terça-feira, 12 de maio, pelas 19h00, no Grand Théâtre Lumière, com uma cerimónia marcada por apelos à liberdade criativa, homenagens ao cinema de resistência e a entrega da Palma de Ouro Honorária a Peter Jackson.
A atriz francesa Eye Haïdara, anfitriã da noite, abriu a cerimónia lembrando a falecida atriz Natalie Baye, saudando posteriormente “todos os que tentam resistir, aqui e noutros lugares” a continuar a fazer e ver cinema. Acompanhada pela violinista Miri Ben-Ari, citou mesmo Jean-Luc Godard — “não fazemos um filme para sermos cautelosos” — e defendeu o cinema como um espaço para a coragem, a escuta e a atenção ao outro.
As palavras de Eye serviram para convidar para o palco o Júri das Longas-Metragens deste ano: a atriz e produtora norte-americana Demi Moore, a atriz irlandesa-etíope Ruth Negga, a realizadora e argumentista belga Laura Wandel, a realizadora e argumentista chinesa Chloé Zhao, o realizador e argumentista chileno Diego Céspedes, o ator marfinense-americano Isaach De Bankolé, o argumentista escocês Paul Laverty e o ator sueco Stellan Skarsgård. A eles juntou-se depois Park Chan-wook, o presidente do júri, e aquele que o Festival de Cannes declarou que “transformou a vingança numa forma de arte, a violência em poesia, o cinema coreano numa obsessão“.
Um dos momentos centrais desta abertura veio a seguir: a homenagem a Peter Jackson, que recebeu a Palma de Ouro Honorária das mãos de Elijah Wood, o eterno Frodo de O Senhor dos Anéis. Com humor, o realizador brincou com o bigode de Elijah e disse: “Ainda não consegui perceber totalmente porque estou a receber uma Palma de Ouro, porque sinceramente não sou esse tipo de realizador. Aquele que ganha Palmas“. Porém, o neozelandês, disse que depois de pensar bastante, chegou à conclusão que a distinção foi a forma encontrada por Cannes para lhe pedir desculpa por não ter atribuído a Palma de Ouro a Bad Taste em 1988. Jackson recordou ainda que a venda desse filme, na sua primeira vez em Cannes, no Marché du Film, permitiu-lhe ter uma carreira no Cinema.
A homenagem prosseguiu com música, com Theodora e Oklou a interpretarem uma versão de “Get Back”, dos Beatles, numa referência à série documental de Jackson, The Beatles: Get Back.
A cerimónia encerrou com Gong Li e Jane Fonda em palco. A atriz chinesa e a norte-americana uniram vozes para celebrar “a audácia, a liberdade e o ato feroz da criação”, declarando oficialmente aberto o Festival de Cannes e dando início a doze dias de cinema.

