Alauda Ruiz de Azúa apresenta “Los Domingos”, um olhar íntimo sobre os laços familiares

Lançando três projetos nos últimos três anos, Alauda Ruiz de Azúa tem construído uma obra com um olhar destacado sobre a família contemporânea e os vínculos afetivos: em Lullaby (Cinco Lobitos, 2022) retratava a experiência transformadora da maternidade, nos seus problemas e prazeres, enquanto em Querer (2024), uma minissérie televisiva, mergulhava nas tensões emocionais dos casais e nos dilemas do amor quotidiano. De regresso a San Sebastián, a cineasta basca volta a escolher Bilbau como espaço para a sua nova longa-metragem, Los Domingos (2025), onde amplia o seu olhar ao confrontar uma família com a decisão inesperada de uma adolescente que sente uma vocação religiosa, questionando no processo a fragilidade e a resiliência dos laços familiares perante escolhas inesperadas.

“A história nasceu há muito tempo, a partir de uma rapariga da minha idade que entrou numa ordem religiosa. Impressionou-me que alguém tão novo tomasse uma decisão que eu via como radical, e sempre fiquei curiosa com essa decisão”, disse a cineasta aos jornalistas em San Sebastián. “Depois de Cinco Lobitos, percebi que podia abordar o tema pelo prisma da família. O que acontece quando um adolescente coloca em causa as convicções que achávamos sólidas? Foi isso que me atraiu.”

O título Los Domingos revela-se particularmente sugestivo, remetendo tanto para os almoços familiares como para o Dia do Senhor. Alauda explica que a ideia surgiu inicialmente a partir das refeições em família, esse ritual quase obrigatório, mas cedo percebeu a sua dimensão litúrgica — um duplo sentido que o filme explora através de jogos de espelhos entre o amor familiar e o amor divino.

Assumindo as diferenças entre Cinco Lobitos, Querer e agora Los Domingos, mas também o fio condutor de análise à família, Alauda afirma que “a instituição família exige esforço”, pois certas pessoas — que talvez nem se suportassem se se cruzassem na rua — têm de sentar-se juntas à mesa da avó todos os domingos: “É essa fragilidade da família que me interessava explorar”, explica a cineasta, que quis simultaneamente perceber se a vocação é um sentimento genuíno ou se resulta da influência do mundo adulto. “A adolescência é um período vulnerável: sentem-se coisas muito intensas e nem sempre se traduzem bem. Essa necessidade de afeto pode levar a caminhos inesperados.”

O Festival de San Sebastián termina a 27 de setembro.

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