Entrevista a Yam Laranas, realizador do perturbante «The Road» (inédito entre nós)

(Fotos: Divulgação)

Nascido em 1969 nas Filipinas, Yam Laranas é um dos nomes mais constantes e incansáveis do novo cinema fantástico asiático, tendo vários dos seus filmes passado em Portugal no Fantasporto.

O seu trabalho mais reconhecido, “Sigaw”, de 2004, até lhe valeu um convite para realizar quatro anos depois a versão americana, “The Echo” (estreado comercialmente no nosso país como “O Eco”). Nele seguimos um grupo de habitantes de um prédio que lidava com aterrorizantes aparições de espectros.

Em 2009, o seu “Patient X” marca o seu regresso às Filipinas e uma mudança de registo dentro do terror: um polícia vai uma localidade para enfrentar os responsáveis pela morte do seu irmão – apenas para descobrir que este é  Aswangs, um  mitológico vampiro filipino.

Agora Laranas está a terminar “The Road”, regresso aos fantasmas filipinos de “Sigaw”, numa história passada em três eras diferentes numa estrada abandonada entregue a uma terrível maldição. O poster e o trailer prometem muita emoção e muito medo.

O c7nema falou com Yam Laranas, um cineasta que se prepara que convidar o mundo (os festivais e os distribuidores) a percorrem com ele esta assombrada estrada do interior de Filipinas.

«Eu adorava ter o “The Road” no Fantasporto – e até dar aí um salto para apresentar o filme em pessoa»

O poster e o trailer de ‘The Road’ são assustadores. O que devemos esperar deste teu novo filme?

Esta é uma história de fantasmas clássica. O ‘The Road’ é composto de três partes distintas passadas ao longo de três décadas.

Quem viu tem me dito que é um filme perturbador e eu acredito que sim. Quer pela forma como é apresentado ao longo de várias décadas, quer pelos crimes em si que testemunhamos na estrada.

É baseado numa lenda local verídica? Dirias que este é um típico filme de terror asiático?

O ‘The Road’ é uma ideia original minha, que começou a ser escrita depois de ‘Sigaw’ (2004). Eu terminei o argumento com o meu parceiro Aloy Adlawan em Novembro do ano passado.

Eu fiz um esforço muito consciente de não repetir clichés e ser semelhante aos filmes asiáticos de terror contemporâneos e mais populares. Tentei ser original. Não é baseado em nenhuma lenda real específica, mas foi imaginado com o mesmo sentido de universalidade que os mitos urbanos: todos temos histórias assustadoras passadas em estradas semi-abandonadas.

Vês este “The Road” como um filme de terror com potencial para se tornar um saga ou até dar o salto para ter uma versão em Hollywood?

Penso que o tema de “The Road” é universal – vai interessar a qualquer pessoa no mundo que goste de história de medo e de filmes de terror. No que toca a uma versão americana, eu em 2008 já dirigi “The Echo” que era um ‘remake’ feito em Hollywood do meu “Sigaw” de 2004, produzido pelos responsáveis dos ‘remakes’ de “The Ring”, “The Grudge” e “The Departed” (remake que Martin Scorcese fez do asiático “Infernal Affairs” e que venceu os Óscares). Portanto, diria que sou aberto à ideia.

Como foste de campeão de ‘breakdancing” para realizador de terror?

O ‘breakdancing’ era um hobby – também me interesso por ballet, tap dancing e jazz. Gosto das “artes de performance”, incluindo o teatro. Mas antes de tudo o mais considero-me um realizador de cinema – não necessariamente de terror.

Como é ser um realizador profissional nas Filipinas?

Creio que é como em qualquer outra indústria – a competição é dura. Mas acredito que nas Filipinas um realizador tem muito mais liberdade criativa no que em Hollywood.

Qual é o teu projecto de sonho?

Gostaria de fazer um ‘remake’ de “The Changeling” de Peter Medak (filme de terror americano de 1980 com George C. Scott, sobre um homem numa mansão assombrada – em Portugal chama-se “O Desvendar de um Mistério”).

Como vês os filmes de terror que se fazem nos dias de hoje?

Gosto da variedade de filmes de terror que têm saído recentemente: “Found Footage”, uns muito dramáticos, possessões e alguns ‘slashers’ (não são muito o meu género). Creio que o terror terá sempre um público.

Será que vamos ter o “The Road” no Fantasporto este ano? Os teus filmes já são uma presença habitual no nosso festival do fantástico…

Eu adorava ter o “The Road” no Fantasporto – e até dar aí um salto para apresentar o filme em pessoa.

Diria que há um novo cinema fantástico a renascer na Ásia?

O mundo cansou-se do típico filme de terror asiático, mas parece-me que agora estão a surgir novas vozes na região que têm vindo a trazer trabalhos muito originais.

 
 
 
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