São diversas as curtas-metragens portuguesas em competição esta semana no FEST – Festival Internacional de Cinema Jovem de Espinho. O C7nema falou com Pierre-Marie Jezequel, realizador de uma delas: «De Castigo». Este drama foi finalista do Prémio ZON 2010 e esteve presente no Festival Alto Vicentino, em Itália.
De que trata «De Castigo»?
Grounded (De Castigo, em português) conta a história de sobrevivência de Samuel, um rapaz de 6 anos que vive com o pai numa casa de campo isolada. Um dia, parte acidentalmente um vidro da casa e o pai fecha-o na cave, de castigo. Uma rapariga que mora ali perto assiste a tudo, escondida. No caminho para comprar um vidro novo, o pai de Samuel morre num acidente de carro, no meio de campos abandonados. Sem saber de nada, Samuel permanece fechado na cave durante vários anos, acreditando sempre estar de castigo.
O que te motivou a fazer este projeto?
Este projeto surgiu no âmbito de um estágio de dois meses que frequentei no verão passado na Universidade de Austin, no Texas, com mais dez portugueses, através do programa Zon Intensive Script Development Lab. O objetivo do estágio era escrevermos um guião para uma curta-metragem que depois seria realizada em Portugal. Este processo de escrita foi acompanhado de uma formação intensiva em argumento para cinema, bem como em produção e realização.
Como foi possível, em termos orçamentais e logísticos, concretizar este projeto?
Apesar de tudo nos ter sido pago no programa de estágio nos EUA (viagem, alojamento, alimentação, formação, etc.), não recebemos nem um cêntimo para a produção do filme no regresso a Portugal. Um desequilíbrio absolutamente incompreensível. Contudo, com a ajuda de uma equipa numerosa, coesa e motivada, conseguimos desenvolver um trabalho de produção incrível, tendo em conta os meios e as condições disponíveis. Tudo o que estava planeado foi concretizado.
Como tem sido o percurso do filme em termos de festivais e exibições?
Tem sido relativamente bom. O filme foi finalista no Prémio ZON e, até agora, já foi selecionado para três festivais internacionais: em Itália, em Portugal (FEST de Espinho) e também em Espanha.
Tens algum novo projeto na calha?
Creio que só voltarei a fazer um filme se tiver condições de produção minimamente razoáveis. Não que esteja frustrado com o resultado deste filme — bem pelo contrário — mas, para já, quero dedicar-me a outras áreas artísticas onde sinto maior liberdade. Infelizmente, cinema só com bastante dinheiro. São raríssimas as exceções bem-sucedidas.

