Entrevista a Zac Efron e John Cusack, atores de «The Paperboy – Um Rapaz do Sul»

(Fotos: Divulgação)

A carinha bonita do galã famoso pelo musical da Disney ‘Highschool Musical’ e de ’17 Outra Vez’ está a concluir a sua passagem para um cinema, digamos, mais ‘mainstream’. Já depois do melodrama romântico ‘Um Homem com Sorte’ e antes ainda de estrear por cá ‘At Any Price’, veremos Zac Efron no seu mais audacioso papel até à data. E não apenas por viver com Nicole Kidman o momento íntimo mais bizarro da história do cinema, em que a personagem dela se vê obrigada a urinar na cara dele para combater uma violenta crise de alergia provocada por uma alforreca. O filme chama-se The Paperboy – Um Rapaz do Sul’ e é muito mais do que isso. Falamos em Cannes com o ator de 25 anos, onde ele explica esse inesperado encontro.

Antes de mais, deixe-me que lhe diga, o Zac está em grande forma nesse filme. Percebe-se que não descura o exercício físico. É muito importante para si estar em forma?  Sim. Gosto de fazer exercício e sinto-me bem assim. Acho que isso faz também parte do que eu sou. Mas estou também preparado para aceitar papéis diferentes. Por isso gosto de estar fisicamente preparado. Trabalho para isso. 

Ainda por cima contracena aqui com o Matthew McConaughey, que também mantém uma forma invejável… Sim, foi correr com ele algumas vezes. E tenho vergonha de dizer que ele está em ainda melhor forma do que eu…

Matthew McConaughey e Zac Efron 

A Nicole Kidman também está sensacional neste filme. O que sentiu quando a viu abrir as pernas e seduzir John (Cusack) daquela maneira? Olhe, eu nunca imaginei vê-la assim. E aquele era o meu primeiro dia de rodagem. Foi nesse momento, que a performance dela elevou a fasquia para todos nós. Eu percebi que era uma oportunidade especial para ter aquela coragem. Eu só queria ter tão destemido como ela.

Já sabemos que não teve problema em andar de boxers… Mas qual foi para si a cena mais complicada? Acho que foi em parte uma coisa do momento. Também é verdade que estava muito calor…

É claro que toda a gente vai falar da cena da alforreca quando vir reste filme. Tanto você como a Nicole sabiam que teriam de fazer aquela cena? Sei que foi um pouco bizarro quando a filmámos. E esse foi o meu segundo dia de rodagem… (risos)

Nada mal… Para começar… Sim, foi assim que começamos. O Lee disse que gostava de começar logo pelas cenas mais fortes.  

A Nicole disse-nos que nessa altura nem sequer se conheciam. Quer ideia tinha dela antes de a conhecer e com que opinião ficou dela depois desta experiência? Acho que sentia uma espécie de adoração por ela. Gosto imenso do trabalho dela. De resto, é uma das maiores atrizes do nosso tempo. Nesse dias, não sabia o que esperar, mas percebi que era uma mulher muito disponível, empenhada e divertida. Protegeu-me bastante.  

O que aprendeu com ela? Ele é uma criatura destemida. Está sempre a trabalhar e leva as coisas muito a sério. Nunca participei num filme assim, em que estávamos todos tão empenhados. 

O Zac contracena neste filme com a Macy Gray, mas sabemos que também canta e dança. De que forma essa qualidade o ajuda enquanto ator? Acho que tanto a canção, a dança ou a representação estão relacionadas, pois ambas precisão dessa exposição, mas também alguma coragem. Entrar em palco e não ter receio de partilhar essa experiência é algo fascinante. De certa forma, foi a música que me introduziu à representação. 

Como lida com toda esta histeria que existe em seu redor? É fantástico, parece uma bênção. Sinto-me um homem com muita sorte por ter tantas pessoas que gostam daquilo que faço.

 —————////———————-

“A primeira cena que filmei foi de sexo violento”

John Cusack que terá o papel de Richard Nixon no próximo filme de Lee Daniels, onde contracena também com um elenco inesperado como Jane Fonda ou Oprah Winfrey, desvenda-nos os momentos mais inquietantes no ‘set’. Em particular, a cena em que se masturba do outro lado das barras da prisão onde serve uma sentença capital, ao protagonizar com Nicole Kidman aquilo a que se pode chamar… uma verdadeira cena de “sexo com o olhar”.

O John interpreta um prisioneiro com sentença de morte. Que tipo de pesquisa fez para se inteirar do seu papel? Conheceu alguns prisioneiros? Conheci alguns prisioneiros e aprendi muito com eles. 

Esse tipo de conhecimento ajudou-o para interpretar a cena intensa que tem com Nicole? Chegaram a discutir a forma como abordariam esse momento? Eu decidi fazer tudo por instinto, de forma a exteriorizar emoções verdadeiras. Achei que era um momento muito forte. Foi mesmo um dos prisioneiros que me deu algumas pistas que acabei por usar. Senti que eles gostaram de poder dar esse feedback. 

O que sentiu quando leu o guião pela primeira vez? Quando li cheguei a pensar: “é capaz de ser um bocado demais”… Mas decidi que ia fazer. Então conheci um tipo que tinha sido violador e homicida. E foi ele que me disse que conhecera uma mulher que tinha violado e que o perseguiu até à prisão. Ela queria casar com sujeito que abusara dela. E descreveu uma cena em que tinham feito sexo apenas por contacto visual. 

Impressionante. Já conhecia a Nicole? Tínhamos-nos encontrado algumas vezes em eventos sociais e tivemos conversas de escassos minutos. Para essa cena não preparamos nada. 

Já tinha participado em cenas tão intensas como essa? Não tão hardcore. Falamos apenas superficialmente. E no final, dissemos: “foi um prazer conhecer-te”… (risos) Mas, escute, a minha primeira cena que filmei foi de sexo violento no dia em que saio da prisão. Quer dizer, uma cena de amor e violação ao mesmo tempo. Acho que só um génio ou um lunático faria uma cena assim. Eu cheguei a dizer ao Lee: “tu és doido!”… (risos) É que não houve aquecimento sequer. Foi, ação! Sexo!… E a cena com a Nicole foi no segundo dia… 

Lembra-se como foi que aconteceu para si este caminho em que se tornou ator? No fundo, a ideia de estar envolvido em grandes histórias e em projetos artísticos foi algo que me levou a ter algumas experiências. Como esta com Lee Daniels que me fez crescer muito. No fundo, uma sucessão de desafios. 

É verdade que vai reencarnar Nixon numa outra colaboração com Lee Daniels (‘The Butler’). O que pode contar-nos que será diferente do que já vimos? Este será um filme completamente diferente. Estou entusiasmadíssimo. A ideia será mostrar o Nixon real, mas numa perspectiva completamente diferente. No fundo, sobre o mordomo da Casa Branca que serviu oito presidentes diferentes.

 

 
Link curto do artigo: https://c7nema.net/g1s8

Últimas