Cinema blaxploitation e filosofia afrofuturista sob o olhar queer na Cinemateca Portuguesa

(Fotos: Divulgação)

O AFRICA.CONT/CML e a Associaçao Cultural Janela Indiscreta, responsável pelo festival de cinema Queer Lisboa, levam até à Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema, à Galeria Zé dos Bois, ao c.e.m. – centro em movimento e ao Fontória Blues Caffee o ciclo “Are You For Real?” Uma Viagem Afrofuturista do Blaxploitation às Utopias Queer Visuais e Sonoras, uma mostra de filmes, instalações, performances, workshops de voguing, de um livro e a presença de convidados internacionais, que decorrerá entre 4 a 11 de Julho.

Curado por Pedro Marum e Ricke Merighi (do Queer Lisboa), o ciclo pretende olhar para o movimento cinematográfico “blaxploitation” e para a estética e filosofia “afrofuturista” (tendo no músico Sun Ra como figura-chave), prometendo assim lançar debates ligados à identidade racial, sexual e de género. Entre outros filmes, destaque para Space is the Place, de John Coney (sessão de abertura), Born in Flames, de Lizzie Borden, The Last Angel of History, de John Akomfrah e o documentário Paris is Burning, de Jennie Livingston (sessão de encerramento). Em foco, estará ainda a obra do cineasta britânico Isaac Julien (BaadAsssss Cinema; Territories; Darker Side of Black; Young Soul Rebels).

No que toca a instalações, para além da obra de Robert Mugge, teremos na Cinemateca Portuguesa A person is more important than anything else…, de Hank Willis Thomas, cruzando imagens e sons do escritor James Baldwin (1924-1987) e “estabelecendo pontes entre o seu discurso e as preocupações mais prementes do século XXI ligadas à raça, classe e sexualidade.”

Nas performances, o destaque vai para a vinda a Portugal de Vaginal Davis, artista norte-americana, radicada em Berlim, que chegou a colaborar com o cineasta Bruce LaBruce. Vaginal apresentará na Galeria Zé dos Bois, a 5 de julho, Sassafras Cypress & Indigo-Black screen images and the [e]motive notion of Freakiness, uma performance que reflete a sua própria experiência queer e afro-americana. Ainda no mesmo dia, a artista e ativista Liad Hussein Kantorowicz apresenta a performance Running/the better Half com referências ao blaxploitation e ao movimento Black Lives Matter. Liad irá também apresentar o livro In a Qu*A*re Time and Place, de Tim Stüttgen , obra que liga o movimento blaxploitation e o afrofuturismo de Sun Ra às utopias queer.

O ciclo termina com uma festa no clube Fontória (junto à Praça da Alegria), mais uma vez organizada pela plataforma Rabbit Hole, desta vez em parceria com a House of Melody, fundada na Alemanha, com créditos já firmados no movimento “voguing” internacional, sendo que será da autoria desta organização o workshop de “voguing” que decorrerá nos dias 9 e 10 de Julho no c.e.m., com entrada livre.

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