
As Mil e Uma Noites, de Miguel Gomes, venceu unanimemente o prémio de melhor filme na 62ª edição do Festival de Sydney. A presidente do júri Liz Watts (produtora de Lore e O Reino Animal) destacou a obra do cineasta de Tabu como “um filme ambicioso de visão política, que confronta frustra e encanta, lembrando-nos que o cinema continua a ser um veículo poderoso para examinar a condição humana” e ainda que “o filme recorda-nos que a esperança e a perseverança são fundamentais ao espírito humano“.
A competição oficial incluía, entre outros, Um Pombo Pousou Num Ramo a Reflectir na Existência, de Roy Andersson, e Taxi ,de Jafar Pahani, respetivamente os vencedores da última edição do Festival de Veneza e Berlim. Como agradecimento, Gomes disse: “Estou muito feliz com o prémio. Obrigado Sydney, obrigado Nashen [a directora do festival, Nashen Moodley], obrigado senhoras e senhores do júri! Encontrei duas grandes razões para ser honrado com tal distinção: 1) É mais fácil conquistar prémios quando se pode pode ter três exibições diferentes do seu filme! 2) Estou agora em Lapland, lar do bom, velho e fidedigno Pai Natal!“
Gomes já tinha concorrido ao festival com o seu filme anterior, Tabu, que não saiu vencedor. Recordamos que As Mil e Uma Noites é um tríptico de pouco mais de seis horas, que reflete o período em que Portugal esteve sob as políticas da austeridade, através de um conjunto de histórias que se passaram no decorrer de um ano, do Norte ao Sul do país. Todas as três partes foram submetidas para esta edição do Festival de Cannes, mas, devido à extensa duração que no total apresentam, não puderam ser integradas na Selecção Oficial. Miguel Gomes e o produtor Luís Urbano aceitaram então o convite para o filme ser exibido na Quinzena dos Realizadores, onde foi entusiasticamente recebido.
Noutros prémios, o jornalista Michael Ware foi premiado como melhor documentário por Only the Dead, sobre as suas experiências no Afeganistão e The Lost Aviator recebeu uma menção especial por uma história de aviação e amor.

