“O Palhaço de Cara Limpa” vence Festival AVANCA 2025

(Fotos: Divulgação)

O filme brasileiro O Palhaço de Cara Limpa, de Camilo Cavalcante, foi o grande vencedor do 29.º Festival AVANCA 2025, distinguido com o Grande Prémio de Cinema, o de Melhor Banda Sonora e o de Melhor Atriz, para Maria da Guia de Oliveira da Silva. A cerimónia de encerramento, em Avanca, encerrou 10 dias de festival que celebraram os 500 anos de Vasco da Gama, os 80 anos do cineclubismo português e, sobretudo, a Vida.

O filme, um manifesto poético rodado nas ruas do Recife, acompanha um artista em 2016, durante a crise política no Brasil, e foi elogiado pela sua força emocional e urgência criativa. No centro desta metonímia está Flávio, um ator em crise conjugal, que volta para a casa da mãe. Preparando a peça “A Poética do Devaneio”, de Gaston Bachelard, onde os devaneios poéticos do autor-modelo instigam o leitor-modelo (espectador), Flávio não encontra palcos para atuar, representando a obra pelas ruas da cidade do Recife num período, 2016, em que começa todo o processo (surreal) de impeachment a Dilma Rousseff que vai levar, anos depois, Jair Bolsonaro ao poder.

Foram ainda distinguidos com Menções Especiais Obraz, de Nikolas Vukcevic (Montenegro), e They Loved Me, de Mohammad Reza Rahmani (Irão), que também venceu Melhor Argumento, Melhor Atriz Secundária (Luila Bolukat) e o Prémio D. Quixote da FICC.

A Sinaleira Amarela, de Guilherme Carravetta de Carli

O Prémio Curta-Metragem foi para A Sinaleira Amarela, de Guilherme Carravetta de Carli (Brasil), com João Carlos Castanha a levar o prémio de Melhor Ator. A Melhor Animação foi The Rope, de Saba Javar (Irão). Bijupirá, de Eduardo Boccaletti, recebeu o Prémio Estreia Mundial e o de Melhor Fotografia.

Pela primeira vez, o AVANCA incluiu uma competição para filmes com Inteligência Artificial. O vencedor foi Cláudio Sá com To the Bones. O segundo prémio foi para Black Sun, de Chih Hao Shen (Taiwan), e uma Menção Especial para Morphogenesis, de Mantrixa (Argentina).

Na competição regional, Criadores de Ídolos, de Luís Diogo, foi premiado como Melhor Longa-Metragem. Salto, de Ana Castro, conquistou o Prémio Estreia Mundial e o de Melhor Documentário. Aqui, em Aveiro, de Joaquim Pavão, venceu em Curta de Ficção, e The Gold Bed Deviations, de Regina Mourisca, em Animação. O prémio Estudantes foi para E se um Dia a Liberdade, de alunos de João Católico.

Finalmente, em televisão, L’acier a coulé dans nos veines (Bélgica) foi distinguido, enquanto Ghsted MD (EUA) venceu em séries. Na categoria de Vídeo, o prémio foi para Sigma, de Aram Manukyan (Arménia), enquanto na Realidade Virtual triunfou Coded Black, de Maisha Wester (Reino Unido). O Prémio Cineastas com Menos de 30 Anos foi atribuído a A Luz do Mundo, de Lívia S. Furtado (Portugal), e o Sénior a As cores e amores de Lore, de Jorge Bodanzky (Brasil). Na conferência científica AVANCA|CINEMA, o Prémio Eng. Fernando Gonçalves Lavrador foi entregue aos investigadores mexicanos Jorge Humberto Flores Romero e Juan Carlos Lobato Valdespino, com menção honrosa a Matilde Dias (Portugal).

O festival, organizado pelo Cine-Clube de Avanca e pelo Município de Estarreja, contou com 10 júris internacionais que atribuíram 28 prémios e 7 menções.

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