Paraguai ganha Grande Prémio no Festival de Buenos Aires

(Fotos: Divulgação)

Coroado com o Prémio da Crítica dado pela Federação de Imprensa Cinematográfica (Fipresci) na Berlinale, Bajo Las Banderas, El Sol, de Juanjo Pereira, assegurou ao Paraguai o Grande Prémio da competição Internacional do 26ª Bafici, na Argentina. O Festival de Buenos Aires deu as suas estatuetas numa cerimónia na noite de sábado, mas segue com exibições neste domingo. O filme de Juanjo arrebatou elogios em terras portenhas, assim como no Brasil, onde acaba de ter sessões no É Tudo Verdade. É a produção paraguaia de maior êxito em maratonas cinéfilas estrangeiras depois da consagração de “As Herdeiras” (2018). Esse documentário é um mosaico de exuberante montagem. A sa estrutura formal é uma reação à recordações latinas de 1989, ano da queda da ditadura de 35 anos de Alfredo Stroessner. A sua saída do Poder marcou o fim de um dos regimes autoritários mais duradouros do mundo. Isso também levou ao abandono dos arquivos audiovisuais que haviam consolidado o seu comando. Esse material, criado para moldar uma identidade nacional e celebrar um regime de direita, foi deixado para desaparecer da memória. Juanjo esforçou-se para evitar esse destino.

Embora o Bafici trate o Grande Prémio como se fosse a sua Palma de Ouro, o evento concede um troféu de Melhor Filme. Na seleção internacional, essa vitória foi de Le Rendez-vous de L’Été, de Valentine Cadic, sobre uma jovem que visita Paris e encontra França absorvida pelos Jogos Olímpicos. Ainda entre as longas metragens, houve um troféu de Melhor Realização para Tomás Alzamora Muñoz, por Denominación de Origen, do Chile, e um Prémio Especial do Júri para A Day Cut Short, de María Villar, de origem argentina. A melhor Interpretação ficou com Maria Cavalier Bazan por Aimer Perdre, da Bélgica. Enquanto isso, o documentário “LS83“, de Herman Szwarcbart, onde as memórias de infância do escritor Martín Kohan entrelaçam-se com o arquivo inédito do noticiário do Canal 9 entre 1973 e 1980, conquistou o Grande Prémio Cidade de Buenos Aires.

A língua portuguesa não deixou o Bafici sem prémios. A Melhor Curta de 2025 da seleção de filmes internacionais veio do Brasil: Minha Mãe É Uma Vaca, de Moara Passoni. Escrita por Fernanda Frotté em duo com a realizadora, essa produção vem arrebatando olhares pelo mundo afora desde o Festival de Veneza pela direção de arte de Isabel Azevedo e pela fotografia de Carolina Costa. Na trama, a jovem Mia espera notícias do paradeiro da mãe. Longe da proteção materna, a menina é deixada aos cuidados da tia, imersa na paisagem mítica do Pantanal. Sob a ameaça de onças e queimadas, ela descobre que o amor pode se manifestar de maneiras inesperadas.

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