Com a presença portuguesa assegurada na sua recém-criada seção Perspectivas, pela escolha de “Duas vezes João Liberada”, de Paula Tomás Marques, a Berlinale divulgou nesta manhã as 19 longas-metragens concorrentes ao Urso de Ouro de 2025, que entram em campo em écrans da capital alemã a partir do dia 13 de fevereiro. O Brasil está no certame deste ano com a distopia “O Último Azul”, do cineasta pernambucano Gabriel Mascaro, a contar com Denise Weinberg e Rodrigo Santoro numa jornada fluvial pela Amazónia. Terá pela frente um realizador cujo estatuto de culto só cresce, o romeno Radu Jude. Quatro anos depois de ter abocanhado o prémio de maior relevo do evento (pela comédia “Má Sorte no Sexo ou Porno Acidental”), ele regressa com “Kontinental ’25”, que também tem DNA brasileiro, pois é produzido pela RT Features, de Rodrigo Teixeira, parceiro de Walter Salles em “Ainda Estou Aqui”. Quem também entrou na corrida aos prémios foram o sul-coreano Hong Sangsoo (com “What Does that Nature Say to You”), o americano Richard Linklater (“Blue Moon”) a francesa e Lucile Hadžihalilović (“La Tour de Glace”) e o mexicano Michel Franco (“Dreams”) – entre osgrandes nomes desta disputa.

Após uma troca de direção artística, a Berlinale passa a ser comandada por Tricia Tuttle, que vem do BFI London Film Festival. Ela anunciou uma projeção hors-concours de “Um Completo Desconhecido”, a cinebiografia do cantor, compositor e prémio Nobel Bob Dylan, de James Mangold. Tricia escolheu o cineasta americano indie Todd Haynes (realizador de “Carol” e “Velvet Goldmine”) para presidir a luta pelos troféus oficiais. Escolheu o drama alemão “Das Licht” (“The Light”), de Tom Tykwer (“Corra, Lola, Corra”), para abrir a sua programação, que conta com uma exibição (fora de concurso) do esperado “Mickey 17”, ficção científica que marca o regresso do oscarizado diretor de “Parasitas”, o sul-coreano Bong Joon Ho à realização, após um hiato de seis anos. Robert Pattinson, de “Batman” (2022) e “O Farol” (2019), vive um funcionário de uma expedição colonizadora a um planeta distante que é substituído por clones de si mesmo sempre que se desgasta.
Ainda na seara hors-concours, a paulista Anna Muylaert volta à Berlinale, dez anos depois de ter exibido “Que Horas Ela Volta” (2015) por lá, para lançar “A Melhor Mãe Do Mundo” em solo alemão. Com ecos de “A Vida É Bela” (1998), a trama é protagonizada por Gal (Shirley Cruz), uma catadora de materiais recicláveis que luta para escapar da violência do marido Leandro, (Seu Jorge). No empenho para fugir dele, ela coloca os seus filhos pequenos na sua carroça e atravessa a cidade de São Paulo. Pelo caminho, enfrenta os perigos das ruas enquanto tenta convencer as crianças, Rihanna e Benin, que vivem uma aventura em família.

Concorrentes ao Urso de Ouro
“Ari”, de Léonor Serraille (França)
“Blue Moon”, de Richard Linklater (EUA)
“La Cache”, de Lionel Baier (Suíça)
“Dreams”, de Michel Franco (México)
“Dreams (Sex Love)”, de Dag Johan Haugerud (Noruega)
“What Does that Nature Say to You”, de Hong Sangsoo (Coreia do Sul)
“Hot Milk”, de Rebecca Lenkiewicz (Reino Unido)
“If I Had Legs I’d Kick You”, de Mary Bronstein (EUA)
“Kontinental ’25”, de Radu Jude (Roménia)
“El Mensaje”, de Iván Fund (Argentina)
“Mother’s Baby”, de Johanna Moder (Áustria)
“Reflet Dans Un Diamant Mort”, de Hélène Cattet e Bruno Forzani (Bélgica)
“Living the Land”, de Huo Meng (China)
“Timestamp”, de Kateryna Gornostai (Ucrânia)
“La Tour de Glace”, de Lucile Hadžihalilović (França)
“O Último Azul”, de Gabriel Mascaro (Brasil)
“What Marielle Knows”, de Frédéric Hambalek (Alemanha)
“Girls on Wire”, de Vivian Qu (China)
“Yunan”, de Ameer Fakher Eldin (Alemanha)

