O filme Sempre, de Luciana Fina, estreada recentemente no Festival de Veneza, vai inaugurar a próxima edição do Doclisboa, a decorrer de 17 a 27 de outubro. A fechar, o evento apresenta O Dia Que Te Conheci, do brasileiro André Novais Oliveira.
Italiana radicada em Portugal desde os anos 1990, Luciana Fina construiu Sempre a partir do arquivo fílmico nacional e repositório de imagens da RTP, a convite da Cinemateca Portuguesa para conceber uma instalação por ocasião dos 50 anos de Abril. “Sempre é um tributo ao cinema que interferiu na história e que restitui hoje a hipótese de um momento extraordinário. O filme atravessa a asfixia do salazarismo e da PIDE, as ocupações estudantis de 1969, o Movimento das Forças Armadas de 1974, os sonhos, programas e perspetivas do PREC, o ‘Verão Quente’, a descolonização e, sobretudo, propõe de novo os gestos de grandes cineastas que entraram em ação juntamente com artistas, compositores e diretores de rádio”, lê-se no texto que apresenta o filme de abertura do Doclisboa.

Já em O Dia Que Te Conheci, André Novais Oliveira instala-se no seu território (Minas Gerais, Belo Horizonte, os subúrbios) e apresenta-nos uma espécie de comédia romântica involuntária, contando a história de um homem e de uma mulher (Renato Novais e Grace Passô) que tentam permanecer à tona num mundo desajustado, e que um dia se conhecem.
O Doclisboa anunciou ainda um programa especial, Back to the Future, com a curadoria de Jean-Pierre Rehm. Inserido na secção Riscos, o programa propõe-se “percorrer em alguns filmes o vínculo que liga o modernismo, ou seja, nada mais nada menos do que a utopia do século XX, e o cinema”. Nessa programação, destacam-se títulos até agora inéditos em Portugal, como Traité de bave et d’éternité (1951), do romeno Isidore Isou; Per Speculum (2006), de Adrian Paci; If and If Only (2005), do artista Anri Sala; e Phantoms of Nabua (2009), do tailandês Apichatpong Weerasethakul.
A programação completa da 22ª edição do Doclisboa será divulgada a 1 de outubro.

