O filme “Blackbird Blackbird Blackberry“, sobre uma mulher de 40 e poucos anos que tem um caso que desencadeia um despertar existencial, ganhou o prémio principal de melhor filme no Festival Internacional de Cinema de Sarajevo.
O drama da Geórgia,que teve a sua estreia mundial na Quinzena dos Realizadores em Cannes, viu ainda a atriz Ekaterine Chavleishvili conquistar o prémio de melhor atriz, enquanto na categoria masculina a distinção foi para Jovan Ginić, pelo seu papel em “Lost Country“, de Vladimir Perišić. No filme ele é um adolescente sérvio, na década de 1990, preso entre protestos estudantis contra o regime autoritário do presidente sérvio Slobodan Milošević e a lealdade à mãe, porta-voz do regime.
Na realização, a distinção coube ao cineasta ucraniano Philip Sotnychenko por “La Palisiada”, um drama policial em torno de um detetive da polícia e um psiquiatra forense, que investigam o assassinato de um colega no oeste da Ucrânia, em 1996.
Nos documentários, o triunfo foi para “Bottlemen“, de Nemanja Vojinović, que segue os homens marginalizados que trabalham num enorme aterro insalubre nos arredores de Belgrado. A cineasta macedónia Kumjana Novakova ganhou o prémio de direitos humanos por “Silence of Reason“, que usa os arquivos do tribunal internacional de direitos humanos em Haia para explorar como a violência contra as mulheres foi usada como arma de guerra na Guerra da Bósnia.
O júri de Sarajevo, presidido pela atriz australiana Mia Wasikowska, também concedeu um prémio especial do júri ao documentário de Gergő Somogyvári, “Fairy Garden“, que segue a amizade entre uma adolescente transgénero de 19 anos e um sem abrigo de 60 anos.
Finalmente, a distinção de melhor curta-metragem, que qualifica o filme para os Oscars, foi para “27“, de Flóra Anna Buda, uma animação sobre uma mulher de 27 anos que ainda mora com os pais e sonha em fugir do quotidiano monótono.
O Festival de Sarajevo decorreu de 11 a 18 de agosto.

