A curta-metragem portuguesa “Tornar-se Homem na Idade Média“, de Pedro Neves Marques, venceu o prémio máximo das curtas-metragens no festival de cinema de Roterdão, anunciou esta quarta-feira o júri do concurso de curtas Ammodo Tiger.
O festival de cinema holandês, que começou a 26 de janeiro e prossegue até domingo, dia 6 de fevereiro, destacou outros dois filmes, “Nosferasta: First Bite” de Bayley Sweitzer e Adam Khalil, e “Nazarbazi” da iraniana Maryam Tafarkori. Contudo, a curta de Neves Marques foi a escolhida como candidata do festival ao Prémio Europeu de Cinema para as curtas-metragens, pelo que só a produção portuguesa irá representar Roterdão nessa cerimónia.
Artista multimédia não-binário que representará Portugal na próxima Bienal de Arte de Veneza, Neves Marques aborda neste filme questões de família, sexualidade e género a partir da interseção de duas histórias: a de um casal heterossexual que está a passar por dificuldades de infertilidade e a de um casal homossexual que pretende ter uma criança biológica.
Portugal esteve presente em Roterdão com dois outros títulos a concurso, a longa “A Criança” de Marguerite de Hillerin e Félix Dutilloy-Liégeois e a curta “Madrugada” de Leonor Noivo.
“Eami”, da cineasta paraguaioa Paz Encina, foi o grande vencedor do certame, arrecadando o Tiger Award. O júri, composto por Zsuzsi Bankuti, Gust Van den Berghe, Tatiana Leite, Thekla Reuten e Farid Tabarki, mostrou-se impressionado com a visão complexa e realista sobre o sofrimento das tribos indígenas, chamando-o um “filme poderoso”.
Inspirada nas histórias do povo Ayoreo-Totobiegosode, bem como na sua mitologia, Encina – uma velha conhecida do C7nema – criou um conto sobre uma jovem que embarca numa jornada depois da sua aldeia ser destruída.
Na competição principal, o júri destacou ainda “Excess Will Save Us”, de Morgane Dziurla-Petit, com um prémio especial.

