“Não fiz o filme para ajudar a financiar um genocídio”: a denúncia de Eddie Huang contra a Mubi

(Fotos: Divulgação)

O realizador e chef Eddie Huang acusou a plataforma de streaming Mubi de ter “colocado na gaveta” o seu documentário Vice Is Broke, após se recusar a participar na promoção do filme. A decisão foi um protesto contra o investimento de 100 milhões de dólares da Sequoia Capital, empresa com ligações à indústria de defesa israelita, à startup Kela, fundada por ex-militares em resposta aos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023.

Numa publicação no Instagram, Huang revelou que recebeu uma chamada do presidente da Mubi, Jason Ropell, e que este lhe terá dito que a empresa “suspendeu toda a promoção” e “arquivou o filme“, oferecendo a possibilidade de os produtores recomprarem os direitos. “Ninguém vai ver o filme“, terá dito Ropell.

Huang acredita que a decisão da plataforma é uma forma de fazer dele um exemplo, após o seu posicionamento público contra os laços da Mubi com a Sequoia Capital. “Não fiz o filme para ajudar a financiar um genocídio“, escreveu Huang, referindo-se ao conflito em Gaza, onde, segundo dados da ONU, mais de 59 mil palestinianos já morreram em consequência da ofensiva israelita.

O documentário, produzido pela QC Entertainment, estreou no Festival de Toronto em 2024 e estava previsto para estrear na Mubi a 29 de agosto. Huang já considera alternativas, como crowdfunding para recomprar os direitos e lançar o filme gratuitamente, com apoio de coletivos como a Artists Against Apartheid. “O capital privado também engoliu a Vice, onde eu trabalhava com muitas pessoas incríveis que faziam um trabalho excelente. Fizemos este documentário como um exemplo de advertência, para que as pessoas soubessem que não devem ir por esse caminho novamente.“, disse Eddie.

Por sua vez, a Mubi nega ter arquivado o filme, afirmando em comunicado: “Estamos em discussões construtivas com o realizador e produtores sobre a estreia do filme e daremos atualizações em breve.”

A polémica surge um dia depois de 38 realizadores que já tiveram filmes lançados pela Mubi, entre eles Miguel Gomes, Maureen Fazendeiro, Aki Kaurismäki, Ben Rivers, Joshua Oppenheimer, Teddy Williams e Radu Jude, assinarem uma carta aberta, publicada pela Variety, exigindo que a plataforma corte laços com a Sequoia, alegando que o seu crescimento está “ligado ao genocídio em Gaza“.

Não acreditamos que uma plataforma de cinema de autor possa apoiar de forma significativa uma comunidade global de cinéfilos enquanto mantém parcerias com uma empresa que investe na morte de artistas e cineastas palestinos.“, lê-se no documento.

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