Sentámo-nos com o realizador neozelandês para falar deste novo super-herói que chega hoje aos ecrãs. Em «Green Lantern – Lanterna Verde», Ryan Reynolds dá corpo a um novo super-herói, enquanto Peter Sarsgaard nos oferece um novo tipo de vilão.
O Martin parece ter uma queda especial para os super-heróis. Lembro-me bem de termos falado há já alguns anos, em Deauville, sobre «A Máscara de Zorro»…
Ui, foi há muito tempo! E foi quando o Michael Douglas conheceu a Catherine Zeta-Jones. Eu estive com ele no mesmo jantar.
Sim, ele também confessou isso na minha entrevista. E falámos de novo em «Casino Royale». E agora «Lanterna Verde». Bond, Zorro e o Lanterna Verde. Super-heróis bem diferentes…
Não serão assim tão diferentes, com exceção talvez do Zorro. São é filmes tecnicamente diversos.
Como encara esta nova aproximação, agora com efeitos especiais de luxo e até o 3D?
É obviamente um grande filme em CGI (imagens de computador) e é um herói de comic book, se bem que o Zorro também o foi. No fundo, são ambos super-heróis um pouco à procura de si próprios.
É verdade que gosta mais da pós-produção do que propriamente da rodagem? Isto porque assim pode criar melhor a forma do seu filme?
Sim, a rodagem é sempre um processo muito doloroso. Por oposição, a pós-produção é agradável. É aí que o filme toma forma. E num filme como este é quase como começar de novo, pois tem inúmeros efeitos especiais. Só sabemos que filme teremos quando esses efeitos começarem a chegar.
De certa forma, com esse tempo de espera não surgem até novos gadgets de efeitos especiais?
Na verdade temos de aprovar cada efeito especial, embora possamos recusá-lo com notas — e isso pode levar meses. Para apenas um único efeito. E esse processo pode repetir-se vezes sem conta.
Com todos estes super-heróis, acha que há espaço para mais um?
Quem sabe? Há franchises que tiveram sucesso, como «Piratas das Caraíbas» ou «James Bond», porque já trazem consigo a repercussão dos anteriores. Quando se começa com um novo super-herói temos de satisfazer os fãs, mas queremos sobretudo agradar ao grande público.
Acha que a dimensão mais humana e a presença de Ryan Reynolds pode tornar o filme mais agradável ao público?
Sim, é um filme mais leve do que muitos outros do género. Mas também é esse o estilo dos comic books. Este tem esse lado mais light, tem humor. Obviamente, ajuda muito ter um ator como o Ryan Reynolds, pois ele é sempre credível.
Como o encara enquanto ator?
É um ator tremendo, mesmo em papéis mais sérios. E depois tem um ótimo perfil físico. O Ryan não tem pontos negativos. Só há aspetos positivos.
Está em grande forma!
Mas ele trabalhou durante meses, a acordar às quatro da manhã para ir ao ginásio antes de vir para o set. Agora está ótimo, mas na altura tinha um físico bem diferente.
Já sabia que ele poderia chegar a esse nível?
Exatamente, já sabia. É um ator dessa craveira.
Como decidiram fazer o filme em 3D? Pois parece que não foi filmado em 3D, certo?
Sim, foi convertido para 3D. Claro que seria mais fácil filmá-lo logo em 3D. No entanto, a ação ao vivo era mais difícil de coordenar com os efeitos visuais. Para a empresa responsável pelo 3D esse era o maior problema.
Qual é a sua opinião pessoal sobre o 3D?
Eu prefiro o 2D. Sem dúvida. Se vires os meus filmes, o tipo de ação é mais orgânica. No entanto, adorei o efeito 3D de «Avatar».
artigo publicado no Correio da Manhã

