“Flowers of Ukraine”: pétala da resistência feminina

(Fotos: Divulgação)

Premiada pelas curtas “Beware of a Good Dog” e “The Wormwood Star“, Adelina Borets viu a sua cidade natal, Mariupol, sofrer com os conflitos com a Rússia, que já se estendem desde 2022, quando já preparava uma experiência entre a não ficção e a comédia chamada “Flowers of Ukraine” (“Kwiaty Ukrainy“). A produção foi ao Brasil por ocasião da 48ª. Mostra de São Paulo (com o título “Flores da Ucrânia“) e a sua realizadora viajou até lá a fim de acompanhar a resposta do público da América do Sul a um processo narrativo crítico que constrói a dramaturgia a partir do dia a dia de uma sexagenária muito resiliente.

A protagonista, Natalia, de 67 anos, vive tranquilamente num paraíso verde, cercado por flores e florestas, em Kiev, na Ucrânia. Há anos, ela defende arduamente as suas terras contra a especulação imobiliária. A batalha mais árdua da sua vida começa quando o país é invadido pela Rússia.

Na entrevista a seguir, realizada no Espaço Augusta, Adelina Borets (na foto) partilha com o C7nema a sua visão sobre o sangue derramado na sua nação.

Em que ponto está a Guerra da Ucrânia hoje?
Apesar de a Europa ter uma sensação de que o conflito acabou, ele persiste e é cada vez mais difícil proteger as pessoas da violência. Eu comecei este projeto em 2021 e a resiliência de Natalia manteve-me mentalmente sã no meio a tudo o que vivemos.

Qual é a dimensão heroica de Natalia?
A potência dela para resistir nessa terra marcada por factos tão brutais é enorme. Digo que construímos uma “comédia de guerra” a partir da vivência dela.

A Natalia já viu o filme? Que relação ela tem com o cinema?
Nós vamos fazer uma sessão para ela no dia 1 de novembro. Ela nem televisão vê. Diz que não gosta de TV.

Apesar do bom humor que gera em cena, sob a luz branda da câmara, a Natalia evoca um tipo de arquétipo solitário. Que solidão a figura dela reflete?
Ela é a prova de que mesmo tendo um companheiro de vida, uma mulher pode ser só, apesar de estar ligada a uma comunidade bem ampla. Ninguém pode decifrar as suas profundezas. Solidão é o mais duro dos sentimentos, mas faz-nos crescer.

De que forma este filme dialoga com a genealogia da Ucrânia no cinema?
Reconheço que faço parte de uma tradição ucraniana, mas como me formei na Polónia, a minha estética tem mais influências daí, com o uso da câmara na mão e a recusa em usar drones ou dollies. Em termos dramatúrgicos, o meu filme é uma história real.

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