Andrei Cohn celebra a “Semana Santa” à moda romena

(Fotos: Divulgação)

Faz algum tempo que o Festival do Rio assumiu um papel não oficial, porém prático (e ativo), de abrir as salas brasileiras para o cinema romeno, destacando-se o espaço dado pelo evento à única Palma de Ouro daquele país: “4 Months, 3 Weeks, 2 Days” (2007). A constante presença daquele perímetro europeu nas sessões da maratona cinéfila carioca sai reforçada este ano com a visita do realizador Andrei Cohn, que foi lá exibir “Holy Week” (“Saptamana Mare“), destaque da mostra Forum da última Berlinale.

O título em português ficou mesmo “Semana Santa“, numa referência ao evento religioso. O enredo se passa por volta de 1900. Na ocasião, a tensa relação entre o judeu Leiba, dono de uma estalagem, e o seu funcionário cristão Gheorghe, culmina na expulsão do empregado. Vingativo, Gheorghe promete voltar ao estabelecimento na Páscoa para acertar as contas. Ameaça que é a gota d’água contra o esforço de Leiba em conviver naquele ambiente hostil e antissemita. A partir de então, ele luta para distinguir o perigo real do fabricado pelas ansiedades, tomando um caminho transformador que o levará a consequências extremas.

Há mais uma sessão de “Semana Santa” no Festival do Rio no dia 12. Em entrevista ao C7nema no saguão do Estação NET Rio, Cohn explica parte das metáforas da luta dos hebreus retratadas no argumento que filmou após a pandemia.

O que existe de político na solidão de Leiba?
Penso sempre que as perspectivas políticas e sociais brotam como consequências de um ponto de vista existencial. Presto sempre atenção à solidão, pois ela é um sintoma de ser um estranho a uma determinada cultura ou prática social. Um judeu como Leiba é um estranho ali naquele contexto.

De que forma a luta dele na Europa de 1900 é uma batalha em prol do sentido de pertencimento?
É difícil encontrarmos um retrato de um judeu que esteja integrado, pois muitos – e sou um deles – estão a lidar com várias questões para encontrar uma acomodação. Por isso, “Semana Santa” vai falar de um bailado político que Leiba precisa fazer para se encaixar.

Desde “The Death of Mr. Lazarescu” (2005), os filmes da Roménia tornaram-se uma espécie de porto seguro tanto nos festivais quanto em salas de projeção, a simbolizar uma aposta segura em refinamento dramatúrgico. Fala-se do florescer da “Primavera Romena” há quase duas décadas. De que forma essa excelência se reflete nas dinâmicas de produção do país? Que orçamento é estabelecido para um filme como o seu?
Cada realizador tem uma experiência distinta. O caso de Cristian Mungiu (o vencedor da Palma) é um, de outros é diverso e o meu, neste filme, por e tratar de uma recriação histórica, foi muito difícil. Arrisco-me a dizer que houve um custo de um milhão de euros, mas não sou a melhor pessoa para falar de números e, sim, os meus produtores. Com a pandemia ao meu redor, o nosso processo foi um pesadelo.

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