Milena “Mila” Markovna Kunis nasceu na Ucrânia a 14 de Agosto de 1983, embora muito cedo se tenha estabelecido com a família nos EUA. Iniciou o trabalho de actriz aos 9 anos e deixou marca com a sua voz rouca na série ‘Family Guy’. Vimo-la em ‘O Livro de Eli’ (2010) e em breve em ‘Friends and Benefits’ (2011) com Justin Timberlake.
Acha que poderia ter sido também o Cisne Branco neste filme?
Porque não?…
O que a levou a desejar participar neste projeto?
Eu queria trabalhar com o Darren e a Natalie. Achei que o guião era ótimo, diferente, por todas as razões óbvias.
E como foi trabalhar com a Natalie Portman?
Nós conhecemo-nos há alguns anos, por isso foi ótimo poder trabalhar com uma amiga. Ela é uma atriz tremenda.
A Mila tem algum ‘background’ como bailarina?
Não tive nenhum treino como bailarina. Treinei apenas dois meses antes de iniciar a produção e três meses durante. Portanto, cinco meses ao todo. Foi duro. Começou por ser sete dias por semana, cinco horas diárias. E tinha de estar muito magra. Até tiveram de tapar o meu peito.
Como encara a sua personagem?
O que gosto dela é que, numa profissão que é muito competitiva, no final do dia ela regressa à sua vida normal. Respeito o facto de não viver e respirar ballet. Da mesma forma que eu não quero viver e respirar apenas aquilo que faço.
Não acha que o cinema pode ser um meio igualmente competitivo? Tal como o ballet?
Acho que o mundo do ballet é muito mais competitivo do que o do cinema. Porque literalmente se magoam para atingir os seus objetivos. Procuram atingir algo que é impossível – a perfeição. E é algo que começa muito cedo, aos quatro anos, e pode durar vários anos. O cinema é tudo mais efémero.
É verdade que também sofreu alguns ferimentos?
Todos nós tivemos alguns ferimentos… No meu caso, desloquei um ombro, fiquei com duas cicatrizes nas costas provocadas pelos dedos do bailarino que me levantou durante seis horas…
Tem com a Natalie uma cena plena de erotismo. O facto de ser sua amiga tornou as coisas mais fáceis?
As cenas de sexo são sempre complicadas. E desconfortáveis. Seja com uma pessoa amiga ou inimiga. Não me importo de fazer uma cena de sexo, mas tem de ter um propósito. Numa comédia, como sucedeu em Um Belo Par de… Patins, foi divertido. Neste caso, é a primeira vez que faço uma cena de sexo que serve o propósito do filme e leva quase uma personagem ao limiar da destruição. Quase que esse lado tornou a cena mais fácil. Quase…
O que aprendeu desta experiência tão exigente do ponto de vista físico?
O que aprendi é que é possível fazer quase tudo. Eu nunca pensei que fosse capaz de fazer o que fiz. Apenas do ponto de vista físico. E isto até antes de começar a produção. Pretender que aos 26 anos somos bailarinas profissionais… Qualquer bailarina com essa idade já teria pelo menos 10 a 15 anos de prática.
Teve a oportunidade de encarnar a mesma personagem que Angelina Jolie em Gia. É realmente muito parecida com ela…
É verdade que dizem que sou parecida com ela, mas eu não o vejo. A verdade é que quando fizemos Gia (1998), a Angelina Jolie ainda não era conhecida. Por isso ninguém me comparava com ela. Depois da puberdade começaram a fazer essa comparação.
Acha que a vontade de manter a vida privada em segredo é uma forma de equilíbrio?
Sem dúvida. Para mim, é uma forma de manter a sanidade. Acho que misturar esses mundos pode destruir uma vida.
Entrevista Publicada no Correio da Manhã

