Um dos nomes mais curiosos do panorama do cinema norte-americano nos últimos anos tem sido Taylor Sheridan, seja pelo argumento dos dois filmes “Sicario”, do nomeado aos Oscars “Hell or High Water – Custe o Que Custar!”, ou pela escrita e realização de “Wind River”.
Todos estes filmes têm marcas bem vincadas no tom, personagens e enredo dos velhos clássicos do faroeste e esse toque volta-se a sentir em “Aqueles Que Me Desejam a Morte”, filme baseado no livro homónimo de Michael Koryta que marca o regresso de Angelina Jolie ao grande ecrã.
Cada vez mais selecta nos papéis que executa, mas igualmente mais agarrada à folha de pagamento da Disney (Maléfica: Mestre do Mal; The Eternals), Jolie assume aqui um papel de cinema de ação e suspense que desde “Salt” não se via no seu percurso.
Ela é Hannah, uma bombeira traumatizada com um incêndio trágico no passado que agora vive um pouco no limite, sendo castigada e retirada do combate, para ficar num posto de vigia. É já nessa nova posição que ela vai-se cruzar com um miúdo (Finn Little), cujo pai foi assassinado à beira da estrada por dois sádicos criminosos que agora o perseguem. Jolie e o miúdo vão ter de lidar com a dupla de assassinos no seu percurso até às autoridades, tendo de lidar pelo caminho com condições adversas do tempo e um imenso fogo florestal que a cruel dupla de perseguidores colocou no seu caminho.
Visualmente mais trabalhado, fluído e frenético que “Wind River”, talvez como reflexo da mudança geográfica, climática (das paisagens gélidas para o calor de uma zona florestal em combustão) e das personagens mais extrovertidas (fanfarronas) que alberga, “Aqueles Que Me Desejam a Morte” é mais dinâmico numa espécie de “A Testemunha” (1984) pela floresta adentro, residindo nos “pistoleiros” implacáveis a perseguição sem tréguas e paragens que vai abalroar a dupla em fuga e outras personagens que se lhes apresentam pelo caminho, como o Xerife local, interpretado por Jon Bernthal, e a sua esposa grávida, Allison Sawyer (Medina Senghore).
Reside aliás nesta dupla a maior marca de Sheridan, que afasta ambos dos clichés provincianos ou melosos de “damas em perigo“, dando a Medina Senghore o dom de brilhar – ao contrário de Jolie – num dos momentos mais tensos de toda a obra.
Mas se a dinâmica e construção dos secundários revela-se surpreendente, o mesmo já não se pode dizer do nosso par em fuga, caindo-se em vários lugares comuns, não apenas na relação que se constrói entre ambos, mas especialmente na personagem de Jolie, que parece desenhada de forma demasiada básica para o que a atriz já demonstrou ser capaz de executar no cinema.
No final, pese embora alguns clichés e grandes improbabilidades (veja-se a fuga ao incêndio), isto num filmede cara séria, “Aqueles Que Me Desejam a Morte” impõe espectáculo à substância no seu jeito entre o policial e neo-western, mostrando particularidades que o demarcam no género de thrillers de ação banal que tanto invadem os cinemas como o streaming nos dias que correm.




















