Carisma no elenco não falta no elenco deste “Santuário das Sombras ”, não fosse o protagonista Jeffrey Dean Morgan, naquele papel de homem caído em desgraça mas que prossegue a vida com uma investigação (neste caso não é polícia, mas jornalista), e William Sadler aqui na pele de um padre cuja protegida, uma jovem surda, parece ter sido exposta a um milagre da Nossa Senhora.

O que se segue é o tradicional filme de aparição e milagre que esconde demónios mascarados de santos, uma luta do bem contra o mal, Deus contra o Diabo, e uma análise profundamente superficial (mas existente) ao nascimento de cultos imediatos pouco racionais baseados em histeria coletiva. 

Sim, o género deste “The Unholy” é o terror sobrenatural em território já muitas vezes trilhado onde o realizador e argumentista Evan Spiliotopoulos pega num conceito até intrigante, inspirado no livro de 1983 de James Herbert, e executa uma obra banal nas suas artimanhas, efeitos visuais baratos e linguagem cinematográfica limitada.

Destaca-se a previsibilidade do arco narrativo, a inércia dos “jump scares”, uma direção de arte e criatividade na construção do servo de Satanás ausentes, tudo elementos que rapidamente transformam em fastidioso e aborrecido um filme que podia apenas ser decepcionante e cliché.

Não ajuda igualmente a presença de Cary Elwes como um bispo local entregue aos lugares comuns dos segredos por revelar, um Diogo Morgado como um investigador do vaticano com muito pouco a acrescentar (a não ser a frase típica quando não existem explicações palpáveis “Deus move-se de forma misteriosa e uma Katie Aselton que sente perdida como a médica da cidade que aparentemente é especialista em tudo.

Salva-se, ainda assim Alice (Cricket Brown), a rapariga com deficiência auditiva que consegue variar entre os estados de normalidade e possessão com clareza e direção, embora a sua personagem também esteja formatada ao óbvio.

No final temos uma sensação de déjàvu latente do qual os atores não conseguem escapar. Dispensável.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
santuario-das-sombras-jeffrey-dean-morgan-e-diogo-morgado-perdidos-em-horror-sobrenatural-banalDestaca-se a previsibilidade do arco narrativo, a inércia dos “jump scares”, uma direção de arte e criatividade na construção do servo de Satanás ausentes