Se há cineasta que parece absorver bem o conceito de “maldição” é Takashi Shimizu, realizador da saga “Ju-On” (The Grudge), que não só se tornou uma saga de culto em terra japonesas, como também transitou para os EUA, com a ajuda do próprio realizador. O problema é que, tal como Hideo Nakata de “Ring” (embora este tenha outro filme brilhante na carreira, “Chaos”), a cada filme que faz, Shimizu continua a ser referenciado como o realizador de algo inesquecível há 20 anos, nunca conseguindo o mesmo sucesso (ou parecido).

Não é com “Homunculus” que o consegue, mesmo que esta adaptação da Netflix da série de mangá de Hideo Yamamoto seja tecnicamente competente, rica na construção negra das personagens, no sentido psicadélico da fotografia, especialmente em ambiente noturno, e na utilização dos efeitos visuais.

Mas a verdade é que esta história de um sem abrigo que se submete a uma “trepanação” por parte de um estudante de medicina, ficando depois com a capacidade de ver e absorver os traumas dos outros, sai um pouco da rota do original e mostra-se um objeto profundamente semelhante a tantos na sua dinâmica cobaia-cientista louco, não diferente de qualquer arraçado de “Frankenstein” 

E embora exista algum mistério e suspense no desenvolvimento dos poderes psíquicos do protagonista após a sua “operação”, rapidamente esse gancho que inicialmente nos agarra solta-se após a primeira interação do homem com um Yakuza, revelando-se imediatamente as suas novas habilidades, que irá aplicar ao serviço do trauma, sentimento de culpa e redenção.

Como devem imaginar, agarrado ao novo dom vêm também problemas, que na segunda metade do filme Shimizu nunca consegue resolver a não ser de forma rotineira, monótona e repetitiva, transformando-o em mais um tiro no pé do cineasta e em mais um conteúdo medíocre com selo Netflix.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
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