É no tema musical de Al Bano e Romina Power, Felicita, que Bruno Merle vai encontrar o título do seu filme, uma comédia dramática em que a busca da felicidade e a normalidade são colocados em cima da mesa sem que de forma intrusiva se ponha em questão estes conceitos que sempre se revelaram mutáveis.
No filme seguimos – por 24 horas – uma família (pai, mãe e filha), longe de qualquer convenção, que vivem momentos entre a tensão, a poesia e a alegria sempre caminhando pelo lado inesperado da vida que por instinto definiríamos como momentos de grande imaturidade, irresponsabilidade e excentricidade. Os primeiros instantes do filme, caracterizados por uma mentira pateta que o pai de família tenta convencer a filha – que ela é filha do cantor Orelsan – dão um mote de irreverência e humor negro que torna todo este objeto cinematográfico numa peça imprevisível.
O próprio Orelsan aparece em cena numa fatiota de cosmonauta, personagem que só a pequena Rita Merle, filha do realizador, tem acesso, logo após colocar os seus auscultadores na cabeça, que frequentemente também nos dão momentos de raro silêncio e calma.
Refrescante, terno, sem nunca cair no moralismo, e ainda menos na irresponsabilidade, Felicita é acima de tudo um objeto ligeiro singular com muito coração e uma inteligência longe dos clichés e catalogações sociais.















