Bruce Willis parece andar a Valium o tempo inteiro neste Trauma Center (Impacto Mortífero), como que aligeirando as dores que sente na alma por participar no filme

A graça de ver Bruce Willis enfiado numa espécie de Die Hard  num hospital em que a estrela é Nicky Whelan morre antes do tempo, pois no meio de um argumento derivativo, interpretações sofríveis e uma realização sem qualquer espetacularidade ou suspense, Trauma Center acaba por se revelar num modorrento filme de ação que chega aos cinemas com um toque de anos 80, mas que apenas e só estreia nas nossas salas porque não existe um mercado de VOD decente no nosso país.

A ação passa-se em Porto Rico, território onde a empregada de um café, que agora cuida da irmã mais nova, é arrastada para uma conspiração que envolve criminosos e policias. Willis é um detetive que tem de perceber porque um colega foi morto, mas o que a “estrela” do cinema de ação faz melhor neste filme é arrastar-se (melhor termo é impossível) frame a frame numa produção com o dedo da famosa dupla Randall Emmett e George Furla, conhecida por produzir vários filmes de acção de segunda linha de Nicolas Cage e Bruce Willis, como 16 Blocks, Acts of Violence e Reprisal (todos eles melhores que este Trauma Center). A certa altura, a nossa vítima e heroína fica enclausurada num piso abandonado do hospital, tendo de lidar com dois marmanjos que lhe querem retirar uma bala de uma perna, pois o projetil pode ligá-los a um crime.

Há muito non sense (eufemismo para idiotice) por aqui, já que estes dois vilões mostram-se e falam com dezenas de pacientes e trabalhadores do hospital como se não existissem câmaras ou testemunhas que os pudessem incriminar no futuro. Mas mesmo esquecendo este pequeno grande detalhe (uma bizarrice), Trauma Center revela-se um amontoado sequências sem fulgor, intensidade ou surpresa, destacando-se apenas as formas artesanais qua a mulher usa para escapar aos criminosos, fazendo lembrar as artimanhas de John MccLane em Die Hard (fugas pelo sistema de ventilação; eletrocução dos vilões, etc).

A evitar.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
trauma-center-bruce-willis-die-hard-hospital-impacto-mortiferoTrauma Center revela-se um amontoado sequências sem fulgor, intensidade ou surpresa