O género de thrillers de sobrevivência a uma só voz têm nos acompanhado ao longo da história do Cinema, normalmente associados a histórias de perseverança, resiliência, algum heroísmo e definitivamente cercados de um tom existencialista que circunscreve o jeito como o ser humano se adapta às adversidades apenas com o objetivo de sobreviver.
Ártico é mais um dos ensaios, não muito distante de filmes como 127 Horas, O Náufrago, Até ao Fim e até A Vida de Pi. O que muda por aqui é o espaço, confinado a um qualquer lugar no círculo polar Ártico, local onde um piloto (Mads Mikkelsen em modo “one man show”) luta contra as condições meteorológicas, barreiras geomorfológicas e outros problemas extremos, sendo obrigado a recorrer ao primitivismo de maneira a manter-se vivo até ser resgatado.
As paisagens inóspitas e geladas do local remetem-nos a outras paragens como as The Revenan, Evereste ou Estamos Vivos, guiando o nosso “perdido” por um sem número de situações onde cada decisão pode significar a vida ou a morte. Longe da espetacularidade ou de nos tentar sequer dizer quem é o homem que estamos a seguir, Ártico é um filme que tem a coragem de mostrar que esse homem não depende só de si para sobreviver, lançando como factor externo uma eventual equipa de salvamento, que pode ou não surgir por diversas razões. Não existem por aqui quaisqueres lições de vida, dramatismos e manipulações emocionais, ou até mesmo mensagens que cabiam num livro de autoajuda, mas apenas e só a história de um homem confrontado com uma situação extrema e que tenta superá-la passo a passo, minuto a minuto, com uma simplicidade e sobriedade apaziguante.
E nessa viagem, para além do tour-de-force de contenção de Mikkelsen, muito longe dos tons mais espalhafatosos e muitas vezes a caírem no overacting de James Franco, Tom Hanks ou Leonardo DiCaprio nos filmes já referidos, mostra-se um cineasta “maturo” e convicto na sua estreia: o brasileiro Joe Penna, anteriormente era mais conhecido pelo seu nome de MysteryGuitarMan no Youtube. Penna mostra ele mesmo uma calma ensurdecedora, uma aparente passividade mas que na verdade revela-se um exercício extremo de controle sobre a atmosfera do seu filme, dando assim uma imagem muito mais realista que qualquer um dos exemplos anteriores. E mesmo sacrificando o tal cinema espetáculo e o chamado “entretenimento”, Penna demonstra num género sobrelotado de obras, ainda existiam mais uma palavra a ser dita.




















