
Existe uma ideia jubilante em todo o conceito de Assassination Classroom: o desejo de matar o professor é aqui enquadrado de uma forma fantasiosa e simultaneamente argumentativa para soar como perversão homicida.
Baseado num trabalho de Yusei Matsui, Assassination Classroom é um dos mais recentes exemplos de como uma adaptação cinematográfica de uma manga ou anime não deve preservar os respetivos tiques e maneirismos, não existindo assim um perfeito estado de diluição, apenas camadas de teor sobrepostas e em constante confronto. O resultado está à vista de todos, um filme “cartoonesco” e demasiado hiperactivo para a saúde da sua narrativa.
Deixando tal factor de lado, por momentos, vale a pena salientar o que afinal esta obra de Eiichiro Hasumi tratar. Assassination Classroom aborda uma peculiar invasão alienígena, cujo extraterrestre, apenas apelidado de Profin (ou Kuronsensei em versão original), destrói a Lua e ameaça a Terra do mesmo destino caso ninguém consiga matá-lo. Como tal, a proposta feita por esta estranha criatura amarela de tentáculos com os terráqueos, nomeadamente o Governo do Japão, é a seguinte – lecionar alguns dos piores alunos e simplesmente transformá-los em perfeitos assassinos, sendo que cada um terá a responsabilidade de assassinar o seu respetivo “professor” até ao final do semestre.
Para quem desconhece a matéria original, encontra um todo bizarro registo de difícil interação, mas nem é por essa questão de gosto que Assassination Classroom falha redondamente. A questão aqui é a sua linguagem cinematográfica: nada justifica os seus altos e baixos dramáticos, dificilmente inseridos numa intriga que se esforça em equilibrar o seu lado de animação e a comédia de apelo cinemático.
As personagens raramente saem da sua capa de caricatura e a emocionalidade que poderia ser trazida na relação entre estas figuras é demasiado rebuscada, colocado aos “trambolhões”,lado-a-lado com os imensos easter eggs que fazem “piscar” os olhos dos adeptos desta modalidade japonesa. Por um lado, os efeitos visuais são irrepreensíveis, mesmo em retratar um “monstro” altamente incredível em termos estéticos. Porém, é essa criatura tecnológica que encontramos o grande comic relief desta jornada que nem é carne nem tofu.
Quando se julga que adaptar uma manga é ser-se puramente fiel, mesmo em termos estilísticos, basta verificar os tempos de Battle Royale, e perceber que dois mundos distintos podem interligar-se quando ambos estão dispostos a sacrificar-se os seus valores pessoais, assim adquirindo uma nova personalidade cinematográfica. Assassination Classroom é claramente um filme carente desse tal efeito.
O melhor – os efeitos visuais
O pior – não conseguir ambientar as suas raízes em território cinematográfico


