«Sabotage» (Sabotagem) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Para quem quer passar despercebido no mundo do combate aos narcóticos, a trupe de agentes da lei de Sabotage é demasiado barulhenta, negligente e pervertida. As coisas chegam a um ponto em que o espectador dá por si à procura de um verdadeiro conflito emocional neste novo trabalho de David Ayer, especialmente porque as «vítimas» por quem teríamos de temer e torcer não inspiram em nós a mínima empatia, sendo tão irritantes como superficiais e, como tal, dispensáveis.

Recheado de twists e armamento bélico, Sabotage é mais um «show» na tournée de testosterona que caracteriza a carreira de Arnold Schwarzenegger após o regresso ao cinema depois da sua experiência política. Aqui ele lidera uma equipa dos narcóticos – que mais parecem mercenários – especializada em lidar com os ultra agressivos cartéis de droga. Numa ação policial que vitima um dos seus colegas, estes agentes acabam por perder o rasto a dez milhões de dólares, trazendo a vergonha para o seu departamento e também uma investigação interna. Porém, aos poucos e poucos cada um dos membros deste grupo começa a ser morto e o espectador é levado para uma espécie de Sei o Que Fizeste o Verão Passado no seio das forças da lei. Quem está por trás das mortes e porquê? É isso que Arnold e um par de agentes do FBI querem saber, tal como onde é que afinal está o dinheiro que despareceu naquela operação.

Ayer, conhecido por filmes onde a dureza na interpretação dos agentes da lei leva estes muitas vezes aos limites e ao mundo das ilegalidades (basta lembrar os guiões de Dia de Treino, Azul Escuro ou o mais recente Fim de Turno) filma esta Sabotagem com pulso, mas aquilo que o argumento lhe oferece são mais balas e desfiles de armas que diálogos ou personagens cativantes. E mesmo que os atores se mostrem (até demasiado) esforçados, como Mireille Enos ou o próprio Arnold, a agenda do guião é puramente a de um whodunnit mirabolante viciado em reviravoltas – nem que para isso se contradiga algumas vezes e se torne verdadeiramente implausível.

Assim, e nunca conseguindo cativar na sua faceta thriller – especialmente porque as personagens não o merecem – Sabotage apenas entretém com o seu tom visceral e duro como trata a ação, representando não apenas o pior filme de Arnold desde o seu retorno ao cinema, mas a obra mais dispensável da carreira de David Ayer na realização.

O Melhor: Ayer dá sempre um cativante tom visceral à ação
O Pior: O enredo, as personagens e a extrema dependência em reviravoltas pouco sensatas


Jorge Pereira

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