As paisagens da América Central desfilam ao fundo enquanto uma tempestade familiar desencadeia-se num velho carro onde pai (Luis Antonio Gotti) e filho (Tito, vivido por Yimmy David Suárez) acertam contas de um passado tumultuoso.
Eles reencontram-se depois de anos devido a um ataque cardíaco do pai, quando este decide acompanhar Tito numa viagem até o Panamá para, pelo menos uma vez na vida, dar-lhe apoio. Os ressentimentos guardados, no entanto, não serão facilmente ultrapassáveis.
Boa estreia na realização do cineasta equatoriano Juan Sebastián Jácome, que cria um drama bastante eficaz inserido nos típicos enquadramentos dos road movies. Entre paisagens, bombas de gasolina, hotéis de beira estrada e intempéries, Jácome consegue situar com precisão a evolução dos personagens, introduzindo ainda um terceiro elemento dinamizador na história – uma mulher que os protagonistas encontram na rua, Yadia (Victoria Greco).
O background bem construído propicia a boa gestão do conflito. Tito, o filho, é albino, arcando com todas as dificuldades de inserção social próprias da sua condição. De personalidade introspetiva, é quase esmagado por um pai cheio de energia, ex-pugilistar, professor de educação física e galanteador nato, mesmo com a idade avançada. A frustração deste com o filho manifesta-se em vários momentos, mas particularmente no desprezo com que se refere ao desporto no qual o filho é campeão – o bowling, segundo ele, um “desporto de maricas”. Este arcabouço serve à uma abordagem pungente sobre as vicissitudes do envelhecimento e da exclusão social.
O Melhor: uma direção segura e personagens bem desenvolvidos
O Pior: um final pouco ambicioso e inventivo

Roni Nunes

