«El Fantástico Mundo de Juan Orol» por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

Juan Orol foi um cineasta mexicano ativo, principalmente, entre os anos 30 e 50, tornando-se um verdadeiro rei do cinema B no país, realizando um total de 57 filmes. Alcançando vários sucessos de público e inteiramente desprezado pelos críticos, que frequentemente o consideram o “pior cineasta de todos os tempos” no México, o realizador, nascido em 1897 na Galiza, Espanha, logrou, apesar disto, introduzir a urbanidade no cinema mexicano da época, substituindo os “mariachis” vindos da tradição por histórias de gangsters.

A graça deste filme de Sebastián del Amo está na singularidade com que constrói uma biografia algo diferente das tradicionais, ainda que utilize uma narrativa em flashback e de caráter nostálgico. Um dos seus aspetos é forma como Del Amo promove uma fusão entre aquilo que é a sua pretensão maior, o resgate da memória histórica, com a forma com que apresenta este conteúdo. A infância de Orol é abordada com os planos fixos e as luzes tremulas do cinema mudo, enquanto o seu apogeu obedece à escola da Hollywood clássica. Os seus últimos anos são marcados pelo surgimento do technicolor.

Sem a pretensão de fazer uma abordagem exaustiva e grandiloquente sobre uma personagem sob o qual pouco se sabe, o realizador dá vida ao seu biografado através de recursos narrativos mínimos – como a história das cinco mulheres que ele teve: basta um simples olhar para uma delas, e já se advinha que ele aparecerá casado na sequência a seguir. Da mesma forma, todo o passado pré-cinematográfico de Orol é apresentado em cinco ou seis sequências sem ligação dramática e que servem para ilustrar a sua trajetória errática. Já o seu processo decadente é simbolizado apenas por diversos takes da sua relação com um mafioso que adquiriu todas as salas de cinema no México dos anos 50. Del Amo completa a sua equação com a introdução de elementos cómicos ou fantásticos na história.

O resultado global é um filme ágil e com momentos engraçados, mas com dois problemas principais. De um lado, essa espécie de vida em “slides” tem um alcance limitado no sentido de dar uma maior abrangência temporal e uma justificação para escolha deste personagem para se fazer uma biografia. Ao mesmo tempo, e algo não raro neste tipo de propostas, a sensibilização do espectador para os momentos dramáticos é completamente matizada pelo caráter permanentemente anedótico da biopic.

O Melhor: o resgate da memória história do cinema mexicano
O Pior: a falta de uma abrangência e uma contextualização maior em torno do biografado


Roni Nunes

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