«The Hobbit – The Desolation of Smaug» (O Hobbit: A Desolação de Smaug) por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

O argumento de Peter Jackson e dos seus colaboradores habituais (Fran Walsh, Philippa Boyens, Guillermo del Toro) começa por evitar aquele que é um dos maiores lugares-comuns da trilogia do Senhor dos Anéis, repetida no anterior Hobbit – Uma Viagem Inesperada: em vez de apresentar os personagens, de resto já bem conhecidos, nas calmas e idílicas terras dos hobbits, onde uma súbita ameaça os vai arrancar do sossego, ele aqui começa quase no centro da ação. Basta um encontro de Gandalf com o rei dos anões, Thorin (Richard Armitage), para recomeçar a trajetória em busca do mesmo objetivo do primeiro filme – recuperar o castelo dos anões do dragão Smaug.

Mas é, curiosamente, ao abandonar o território seguro, abrindo mão da estrutura e do timing perfeito da obra anterior, que o realizador parece ter perdido a sua capacidade de encantamento mínimo, narrando uma sucessão errática de ameaças onde falta mistério, interesse, antecipação – e que nem dão para construir uma história relevante.

Os próprios personagens estão construídos de forma descuidada, negligente, e em nenhum momento isso fica mais claro do que na patética tentativa de inserir-se um romance na história, que surge tão insosso quanto os seus protagonistas – a elfo-fémea Tauriel (Lilly Evangeline) e o anão “maior que os outros” Kili (Aidan Turner). Em termos de subtexto temático, o que já não era nenhuma maravilha no antecessor, aqui simplesmente desapareceu.

É certo que estão lá os cenários deslumbrantes e os efeitos visuais de grande alcance. A câmara do realizador, que não conhece a expressão “plano fixo” e usa e abusa de travellings de todos os géneros e feitios, também garante mobilidade ininterrupta, assim como a ação contínua é, em alguns momentos, de tirar o fôlego – pelo menos quando não beira à paródia involuntária, como na cena dos barris. Porém, o cansaço da franquia é evidente, com Jackson parecendo ter dificuldades em tirar coelhos desta cartola, da qual ainda sai um poderoso dragão (com a voz de Benedict Cumberbatch) que é a grande estrela do filme.

O final, que chega depois de longos 161 minutos, deixa tudo tão em aberto que causa mais desapontamento do que expectativa pelo que virá a seguir.

O Melhor: as sequências com o dragão, os cenários
O Pior: no geral é cansativo e sem graça


Roni Nunes

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