«Melting Away» por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

Filme sobre temas pouco habituais no cinema de Israel – aqui a tratar de assuntos como homossexualidade e mudança de sexo interligados aos preconceitos sociais e às relações familiares. O centro da história gira em torno de um adolescente, Asaf (interpretado pela atriz Hen Yanni), expulso de casa pelos pais por ter sido descoberto a vestir-se de mulher; passados alguns anos, o pai tem cancro e ele reaparece – mas agora seu nome é Anna…

Filme que trata objetivamente de uma temática queer, onde a narrativa é construída de forma expositiva e abrangente e não direcionada para um gueto exclusivo. A complexidade das relações entre pais e filhos é o centro do drama, já que Asaf/Anna nunca tem qualquer dúvida sobre a escolha que tomou.

Melting Away parte de uma excelente premissa e conta com um inesperado grande momento – a sequência que apresenta Anna com Yanni a cantar num clube a música que dá nome ao filme.

Infelizmente o ponto de partida não é aproveitado da melhor forma, com o drama a planar entre a envolvência e o sentimentalismo. Mas a obra torna-se particularmente frágil quando o realizador Doron Eran, que optou por uma narrativa lenta que intercala explosões esporádicas com momentos de meditação, parece esvaziar os seus recursos – com a redundância de close-ups, planos gerais de Telavive sem grande significado e diálogos por vezes pouco imaginativos. O filme tenta contornar essas limitações alargando o seu espectro através de personagens secundários – mas eles falham em dar uma abrangência maior a história.

Apesar disto, o ritmo favorece a criação de um ambiente introspetivo agradável, com uma abordagem não preconceituosa (nem de um lado nem de outro) sobre um tema polémico e um belo trabalho de Yanni, para além de contornar a previsibilidade do final com um twist aceitável.

O Melhor: a primeira das sequências no clube, o trabalho de Hen Yanni
O Pior: uma exploração limitada das possibilidades da premissa inicial


Roni Nunes

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