«Oldboy» (Oldboy – Velho Amigo) por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

A esta altura, as intenções dos produtores que compraram os direitos de remake do original sul-coreano perderam-se na névoa dos sucessivos abandonos – percurso onde até Steven Spielberg (!) esteve associado a adaptá-lo. Sendo assim, resta saber o que ficou desta trajetória caótica para uma empreitada que, por si só, já possuía um elevado grau de dificuldade.

Uma das razões é a de que a obra de Chan-wook Park tornou-se um filme de culto a nível mundial por qualidades dificilmente assimiláveis pelo cinema comercial – particularmente o dos Estados Unidos. Ainda assim, os contornos tornaram-se mais singulares quando é um autor, Spike Lee, e não um tarefeiro – que poderia aproveitar o esqueleto desta história de vingança redentora (ou assim parece…) que Hollywood tanto gosta – o escolhido para levar a missão a termo.
Tal como no original, um homem (aqui vivido por Josh Brolin) de vida desregrada acorda, depois de uma grande bebedeira, encarcerado numa sala sem portas – desconhecendo tanto o motivo quanto o autor. Libertado 20 anos depois (ao contrário dos 15 do coreano), ele sai à procura de vingança, encontrando pelo caminho uma jovem disposta a ajudar (Elizabeth Olsen).

Na verdade, fica clara a completa impossibilidade de se reconstruir para o grande público uma história de extrema violência psicológica, construída com uma lentidão deliberada e asfixiante por Park, algo que Lee tentou compensar com muito gore. Mas, sem enveredar numa exaustiva enumeração comparativa entre original e remake, obviamente desfavorável ao novo filme, é impossível não sentir o impacte negativo das opções de recriação visual do original. Isto significa, simplesmente, que toda a densidade sombria da fotografia e da arte da primeira versão é abandonada em favor do estilo sóbrio típico do realizador “Infiltrados” – mas que termina por empalidecer por contraste.

Somando-se isso as recriações de gosto bastante duvidoso do argumento de Mark Protosevich, que inventa onde não deve e arranja uma explicação pouco credível para solucionar a sua história, mais os vilões excessivamente estereotipados de Samuel Jackson e Sharlto Copley, e parece não haver motivos para se ver “Old Boy”. Mas não é bem assim: o esforço bastante digno de Josh Brolin, para além de alguns momentos de intensidade, em parte compensam as fragilidades da obra.

O Melhor: Josh Brolin e a intensidade de alguns momentos
O Pior: a gigantesca sombra do original


Roni Nunes 

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