Existem cinematografias nacionais que frequentemente voltam aos seus pesadelos favoritos. Enquanto os espanhóis seguidamente retornam ao tema da Guerra Civil e do regime de Franco e os latino-americanos às suas sangrentas ditaduras dos anos 60 e 70, o conflito entre ingleses e irlandeses volta de forma recorrente aos ecrãs. E, felizmente, a quantidade de grandes filmes surgidos daí é grande, como o comprovam títulos como Domingo Sangrento, Em Nome do Pai, Jogo de Lágrimas e Brisa de Mudança, só para citar quatro exemplos colhidos aleatoriamente.
É certo que este trabalho de James Marsh (oscarizado pelo documentário O Homem no Arame) não vem acrescentar maiores novidades ao assunto. Por outro lado, não fica de fora da tradição de filmes tensos e com o drama a navegar por situações-limite. A personagem central do conflito é Colette (Andrea Riseborough), membro do IRA que carrega uma culpa imensa por algo ocorrido na infância e que, quando capturada durante um atentado, terá de lidar com a possibilidade de perda do próprio filho. Isso implica que ela se torne informante. Para complicar, o seu contacto inglês, Mac (Clive Owen) desenvolve com ela uma relação ambígua.
A protagonista circula no meio de um fogo cruzado entre um governo inglês disposto a tudo na guerra contra os irlandeses e um IRA implacável na hora de zelar pela sua defesa. A maior qualidade do filme é a gestão do conflito feito por Marsh, que evita acelerá-lo e entregar-se à ação: não há salvações milagrosas ou justiceiras para o verdadeiro nó de possibilidades que envolve os principais personagens. Como ponto fraco apenas aponta-se as caracterizações subaproveitadas de Clive Owen e Gillian Anderson, ao contrário do que ocorre ao excelente elenco secundário. Mas é Riseborough quem segue afirmando-se como uma das melhores atrizes inglesas do momento.
O Melhor: um filme sempre tenso e interessante
O Pior: o aproveitamento de Owen e Anderson

Roni Nunes

