«Las Brujas de Zugarramurdi» por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

 

Álex de la Iglesia abandonou as temáticas mais sérias dos seus últimos trabalhos (Balada Triste de Trompeta e La Chispa de la Vida) para atirar-se numa tresloucada comédia de ação que lembra os filmes de Robert Rodriguez.

Desde os primeiros minutos, a apresentar os protagonistas num ritmo alucinante, o filme segue imparável até quase o final. Em causa estão assaltantes disfarçados de típicas figuras a circularem pela Puerta del Sol, em Madrid, que, depois de roubarem uma joalheira, seguem numa fuga frenética em direção à fronteira de França. O problema é que eles vão dar à numa localidade que, previsivelmente, não alberga propriamente camponeses.

Todas as edições dos festivais de cinema fantástico trazem um filme onde desavisados vão parar a aldeias remotas que escondem sinistros habitantes. Mas Las Brujas de Zugarramurdi não deixa de compensar o lugar-comum com uma boa dose de insanidade (como as perseguições dentro do castelo) e momentos muito engraçados. Longe de maiores pretensões, este não traz a violenta crítica social de “A Comunidade”, outra das comédias do cineasta com elementos de terror e, certamente, não há nada que se pareça com o sarcasmo sombrio de O Dia da Besta.

Nas entrelinhas, o máximo que fica por aqui é uma violenta guerra dos sexos, algo que serve mais como artifício cómico do que como “tema”. Os homens são todos fracos e dominados por suas mulheres (diferentes das da fantasia, umas bruxas bem realistas…) e, para piorar, caem de para-quedas no centro de uma revolução subterrânea para vingar as descendentes de Eva de tudo o que os homens lhes fizeram ao longo dos tempos. Neste sentido, uma das melhores deixas cabe ao protagonista, José (Hugo Silva) que, quando a bruxa Eva (Carolina Bang) lhe pergunta “onde vais?” ele responde: “Vou impedir a tua mãe de destruir a civilização ocidental. Parece-te bem?

O final perde muito do interesse e os elaborados movimentos circulares de câmaras dentro de uma gruta não chegam para compensar a banalidade do discurso das bruxas. A coisa desanda de vez com a “aparição” da mãe de todas – que, excetuando a refinada piada com as vénus pré-históricas, é exagerada e sem ter propriamente graça.

O Melhor: os momentos cómicos
O Pior: o último terço


Roni Nunes

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