A procura pelo sonho americano já rendeu muitas abordagens. O realizador James Gray, por seu lado, pôs uma já muito escura Nova Iorque dos anos 20 sob um ambiente permanente de chuva, neve e cores pálidas para compor uma das mais sombrias destas versões.
No centro da ação está a emigrada polaca Ewa (Marion Cottillard), que torna-se refém de um proxeneta, Bruno (Joaquin Phoenix), depois de sua irmã ficar retida na emigração e ela precisar reunir recursos para a tirar de lá. As contas de Bruno começam a baralhar-se, no entanto, quando passa a nutrir por ela sentimentos não muito recomendáveis para o seu negócio. Para piorar, lá pelo meio surge um rival, o mágico Orlando (Jeremy Renner), que acaba por atrair as simpatias da rapariga.
Uma abordagem que relembra a Hollywood clássica, mas que põe os seus personagens a descer bem abaixo de qualquer linha moral eventualmente utilizada numa obra mais tradicional. A protagonista, por exemplo, fiel aos seus princípios católicos e que procura uma espécie de redenção, como se vê numa belíssima cena na igreja, não merece maiores contemplações ao ser enxovalhada, assim o caráter brutal de Bruno não conhece abrandamentos. Os personagens, todos de caráter ambíguo, fornecem material para o filme exibir aquilo que tem de melhor – a qualidade do seu elenco principal.
Gray conta a história toda de uma forma pesada, pouco fluída. Apesar do desfecho não ser previsível em si, o argumento arrisca o impacte dramático da sequência final com um “twist” comprometido por aquilo que já estava subentendido nas primeiras cenas do filme.
O Melhor: os três atores principais
O Pior: o ritmo pouco fluido da narrativa

Roni Nunes

