O sul dos Estados Unidos continua a ser o cenário do cinema de Roberto Minervini, italiano radicado na terra do tio Sam que no ano passado compareceu por cá com o belo Low Tide. O registo não varia muito: muita câmara na mão, cenas longas, poucos diálogos e uma abordagem quase documental. O que varia é o tema. Distante de questões como o amadurecimento forçado na infância e a irresponsabilidade dos adultos do seu trabalho de estreia, o cineasta agora se ocupa da adolescência e do despertar do amor e da sexualidade.
A figura central é Sara (Sara Carlson) uma teenager criada fora da escola por uma família profundamente religiosa que vive no interior do Texas. Mas longe das fantasias sinistras que estes pequenos núcleos por vezes fanáticos inspiram (o último filme de Kevin Smith, por exemplo) aqui eles não são mostrados como loucos ou marginalizados, mas beneficiam antes de um olhar simpático do realizador. A fazer um contraste com esse universo de orações e sermões, estão as touradas, igualmente emblemáticas deste mundo rural, que parecem o único interesse do jovem Colby (Colby Trichell), inclusive nas conversas com as quais desperta a atenção (de outra natureza) de Sara.
Minervini cria bem os ambientes e com diálogos aparentemente banais caracteriza com precisão os seus personagens. Mas sucumbindo um tanto às redundâncias das missas e das touradas e sem um assunto mais emocional, como a dureza da vida do garoto em Low Tide, esta obra raramente sai de um tom demasiado monocórdico, particularmente quando Sara recorre à mãe e aos seus longos discursos puritanos e moralizantes para acalmar o seu “coração acelerado”.
Excessivamente expositivo e sem conceder maiores hipóteses à sua protagonista, Minervini quase coloca o espectador num banco de igreja – deixando-o à mercê de longas litanias bíblicas. Ainda assim ele consegue encerrar o seu filme com uma cena visualmente belíssima.
O Melhor: a forma subtil como o realizador constrói os ambientes por onde circulam os seus personagens
O Pior: demasiado expositivo e com um conflito demasiado ténue

Roni Nunes

