«La Última Película» por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

 

Este filme começa com um cineasta (vivido por Alex Ross Perry) a dizer “estou cansado“. Segue-se um discurso sobre o caráter destrutivo da criação cinematográfica, com imagens de películas a incendiarem-se. A partir daí, o tal cineasta perambula pelas ruas e monumentos de Yucatán, no México, onde faz um trajeto turístico com um guia, enquanto planeia aquele que será o último filme a ser feito antes de um apocalipse destruidor.

Em sintonia com uma obra experimental que Dennis Hopper rodou no Perú em 1969, The Last Movie, os realizadores Raya Martin e Mark Peranson embarcaram numa viagem experimental que passa pela completa destruição da mise en scene cinematográfica – passando, para além da desconstrução visual com efeitos e “erros” de produção diversos, pela montagem, pelo som e pela própria atuação.

O senão deste proposta é que, uma vez percebida a ideia, esgota-se a capacidade de surpreender, deixando o filme à deriva e onde a declaração de intenções do final não consegue evitar a gratuidade de parte da proposta, colocando a fita numa linha muita ténue entre uma provocação com algum interesse e o risco, nada desprezível, de não ser, de todo, levado a sério.

Sem recorrer à comicidade em si, algo que só raramente o faz, sobra tempo para alguns momentos delirantes, como a surreal visita de um chef de cozinha dinamarquês para elaborar “a última refeição“, o “sacrifício” do cineasta diante de um monumento maia e provocações aos místicos new age que vão para os locais antigos cantar com trajes hippies.

O Melhor: o tom anárquico e alguns conceitos interessantes
O Pior: uma execução que fica refém de uma ideia


Roni Nunes

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