«Ernest & Celestine» por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

Enquanto as milionárias e intermináveis sequelas dos franchises de animação de padrão hollywoodiano têm cada vez mais ação e menos encanto, existe fora deste eixo um vasto espectro de produções que vêm assegurando sensibilidade e poesia ao género. É neste nicho que se insere este Ernest et Célestine, dos realizadores Stéphane Aubier, Vincent Patar e Benjamin Renner.

A história explora o parâmetro dos buddy movies ao relacionar dois caracteres antagónicos unidos pelo destino comum de solidão. Num mundo de ursos e ratos, onde as duas espécies se odeiam, o esfomeado e marginal urso Ernest vai desenvolver uma singular amizade com Célestine, uma roedora de personalidade artística e sonhadora, que acaba por ser desterrada pela sua comunidade.

Na tradição da melhor animação francesa recente, presente em obras como Une Vie de Chat, Le Tableau, Zarafa ou os trabalhos de Michel Ocelot, Ernest et Célestine coloca a sua história em sintonia com um visual com traços suaves e cores delicadas, onde a neve desempenha um papel importante como pano de fundo. O filme perde um pouco de vigor no último terço, com um final demasiado infantil constituindo o seu ponto fraco.

O Melhor: belo e poético
O Pior: o final demasiado simplista


Roni Nunes

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