Às tantas Arman (Vincent Macaigne) diz sobre o seu melhor amigo, Benjamin (Bastien Bouillon): “Ele não suporta o silêncio. Assim que há uma pausa maior ele trata logo de interromper“. Essa bem poderia ser a definição deste filme de diálogos ininterruptos, onde os personagens informam ao espectador, diretamente para a câmara, sobre o que aconteceu, o que se está a passar, o que estão a pensar, sentir e, mais do que isso, sobre infinitas banalidades sem qualquer interesse para a história.
Macaigne é um pintor de quadros desiludido que se apaixona por Amèlie (Maud Wyler), que quer viver de livros de arte e lhe retribui os sentimentos. O seu melhor amigo, o citado Benjamin, tem um AVC e quando volta a ter saúde vai namorar com a sua terapeuta da fala, Katia (Audrey Bastien). Nos encontros e desencontros das relações e nos delírios de Benjamin (mais dois ou três personagens) o filme sustenta o seu humor muito particular, por vezes bastante engraçado.
O formato não é nada estranho à comédia francesa, que gosta muito de usar, com melhores ou piores resultados, o artifício do personagem que faz uma espécie de narração em off para a história que se está a desenrolar. Isto também vale para o rompimento da chamada “quarta parede” e o próprio Macaigne, numa obra recém-lançada cá, A Rapariga do 14 de Julho, fazia uso deste recurso. Mas talvez nenhum filme tenha utilizado essa combinação de modo tão exaustivo, resultando num filme cansativo, que não deixa quase nada para o espectador pensar ou sentir.
O Melhor: algumas boas piadas, especialmente uma a envolver Sarkozy e Chirac
O Pior: os excessos de diálogos e de conversas diretamente para a câmara, que tornam o filme cansativo

Roni Nunes

