«Hammer of the Gods» (O Martelo dos Deuses) por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

Os Vikings são geralmente retratados como intrépidos guerreiros nórdicos, caracterizados pela extrema violência nas conquistas, pilhagens e também pela sua forma temente com que adoravam os seus deuses. E não são um tema novo, nem no cinema, nem na televisão. O Martelo dos Deuses começa em plena “Era Viking”, em que os invasores agora enfraquecidos tentam derrotar a resistência Saxcónica.

O Rei Bagsecg (James Cosmo) está moribundo e envia o seu filho Steinar (Charlie Bewley) na missão de encontrar o seu irmão mais velho, Hakan (Elliot Cowan), banido do seu povo e amaldiçoado pelos deuses, mas que agora parece ser o único com forças para liderar os Vikings. Partindo desta premissa interessante, O Martelo dos Deuses segue os caminhos já trilhados por muitos filmes, sobre a missão de guerreiros que vão enfrentando adversidades e emboscadas pelo caminho, antes de completarem o percurso.

Realizado por Farren Blackburn, veterano realizador de televisão, que aqui se estreia no cinema, e com um argumento assinado por Matthew Read, que havia coassinado o guião de Valhalla Rising, de Nicolas Winding Refn na era pré Drive, o filme parece toldado à partida por um orçamento pouco Hollywoodesco que não possibilita efeitos especiais e batalhas épicas às quais estamos habituados. Sem grande desenvolvimento das personagens, a obra assenta assim em algumas ideias interessantes, sobretudo na forma como Steinar, um príncipe que refuta a ideia dos deuses e assenta o seu julgamento na lógica, vai crescendo. Mas mesmo com algumas reviravoltas mais ou menos inesperadas, O Martelo dos Deuses não foge ao que esperamos dele.

Realmente não é um grande orçamento que faz um grande filme, e sem a espectacularidade das batalhas garantidas, O Martelo dos Deuses trilha o caminho do visceral, com algumas cenas de violência crua, não aproveitando o mesmo “handicap” para criar personagens fortes e citações memoráveis. E embora demonstre boa vontade, o filme acaba por não se afastar do estigma de telefilme domingueiro.

O melhor: Algumas boas ideias.
O pior: Morno e sem nada de memorável.


Carla Calheiros

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