«Nobody Walks» (Ao Som de um Outro Amor) por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

A rutura familiar desencadeada por um elemento externo não é algo de estranho ao cinema. Aqui a harmonia familiar neste caso é perturbada pela chegada de Martine, uma jovem artista que pretende ajuda para editar o som de um filme experimental sobre insetos. O núcleo central desta família é Peter (John Krasinski) e Julie (Rosemarie DeWitt), um casal com uma óbvia diferença de idade, e até de posição social, e a sua filha adolescente Kolt (India Ennenga) – enteada de Peter.

Claro que a jovem Martine vai despertar o interesse dos homens da casa, nomeadamente o sonoplasta Peter e do seu assistente David (Rhys Wakefield), que disputam as atenções da rapariga. E atiçar as inseguranças das mulheres da casa, com Julie a envolver-se emocionalmente com os seus pacientes, e sobretudo com a jovem Kolt a começar a flertar indiscriminadamente com o seu colega “nerd” e com o professor de italiano.

Ao som de um outro amor é um daqueles filmes  em que o espectador é convidado a espreitar a intimidade de uma casa, e ficar vidrado a acompanhá-la. Infelizmente, a primeira regra para que isto resulte é que nos sirvam personagens estimulantes, ou cuja história desperte qualquer interesse. Aqui reside o principal problema deste filme. As personagens não são interessantes o suficiente e as suas atitudes chegam a roçar o pedante. A ação é inexistente e no final parece que caminhamos mesmo para sítio nenhum.

Embora assente quase num enredo novelesco, Ao som de um outro amor não desenvolve e não tem qualquer momento de catarse, apresentando sempre as suas personagens uma compostura que a espaços parece irreal. O filme ganha algum interesse quando se debruça sobre a parte da edição sonora, nomeadamente a captação de sons, mas rapidamente volta aos seus personagens planos e desinteressantes.

Embora tente documentar uma célula familiar, tal e qual como os insetos do documentário de Martine, Ao Som de Outro Amor carece de charme e sobretudo chama para manter o interesse do espectador. 

O Melhor: Os momentos da edição de som.
O pior: Quer parecer mais do que aquilo que na realidade é.


Carla Calheiros

Últimas