Por detrás do Candelabro é mais uma obra inserida no ciclo de trabalhos finais de Steven Soderbergh, um realizador particularmente ativo nas mais diversas vertentes desde que anunciou a sua retirada do cinema. Depois de ter estreado este ano o thriller Efeitos Secundários, o realizador surge de novo nos grandes ecrãs com Por detrás do Candelabro, uma obra liminarmente oposta e que foi produzida como telefilme para o canal HBO.
O filme acompanha alguns anos da vida do cantor e pianista Liberace, entertainer extravagante, de ego gigantesco, que viveu uma vida de excessos, dentro e fora de palco. Embora tenha conseguido esconder a sua homossexualidade da legião de fãs, chegando a alimentar junto dos Media um suposto noivado com uma patinadora de renome, no seu círculo mais íntimo Liberace não fazia grande questão de a ocultar, acompanhando com vários amantes de ocasião, sempre muito jovens e descartáveis.
Entre esses jovens esteve Scott Thorson (Matt Damon), que co-habitaria com Liberace por cinco anos. É a relação entre os dois que serve de base a este filme. Thorson fascina-se facilmente com o estilo de vida do pianista e Liberace acaba por se mostrar suficiente manipulador para usar as maiores fragilidades do rapaz, como o abandono parental, para o atrair em definitivo. Aliás, mostrando o seu egocentrismo extremo, Liberace força Thorson a fazer várias cirurgias plásticas e acaba por transformá-lo num jovem Liberace. Entre ambos nasceria uma ligação de afeto, que com o passar dos anos se revelaria destrutiva.
Steven Soderbergh demonstra mais uma vez a sua versatilidade e sai da sua zona de conforto, acabando por criar um filme de ambiente espalhafatoso, mas ao mesmo tempo fascinante, graças também ao trabalho dos seus atores principais. Aliás, Michael Douglas, ícone de heterossexualidade, tem uma excelente interpretação como Liberace, egocêntrico, frágil, manipulador, egoísta, generoso – Douglas dá-lhe camadas, não deixando que a personagem caia quer no mero estereótipo gay, quer no caricatural.
Aliás, Por detrás do Candelabro acaba por ser uma das surpresas do ano, um telefilme que supera largamente grande parte do que é estreado em sala, interpretações seguras e convincentes, um realizador versátil que realiza bons filmes nos mais diversos géneros. A ver.
O melhor: Michael Douglas.
O pior: Não terá a visibilidade merecida.

Carla Calheiros

