A experiência da eternidade pode ser algo muito solitário e a vampira Djuna (Joséphine de La Baume) bem tenta repelir um homem (Milo Ventimiglia) por quem se apaixona num clube de vídeo. Quando tal se torna impossível, acaba por ceder a tentação de o transformar no seu companheiro para resto da sua vida sem fim. A lua-de-mel bem poderia se estender ao infinito não fosse, repentinamente, ressurgir de uma vida errática a sua incómoda irmã Mimi (Roxane Mesquida).
Xan Cassavetes optou, na sua obra de estreia, pela exploração de uma velha característica de dos vampiros: a sedução – que têm vindo a ganhar, nas últimas décadas, um carácter sexual bem mais agressivo.
Na verdade o filme pouco acrescenta a abordagem ao universo dos vampiros de Charlaine Harris e sua “Sookie Stackhouse Series” – adaptação televisiva (“True Blood”) incluída: para além do vigor sexual e da amoralidade perversa de muitos deles, Cassavetes vai buscar a noção de alternativas para o sangue humano e a questão da hierarquia rígida. Tal como lá, os vampiros são submetidos a uma ordem social regulamentada, artifício que até Stephanie Meyer explorou nos seus romances de cordel vampirescos.
Por outro lado, ao conferir um cuidado requintado à montagem, à fotografia, aos cenários e ao próprio visual dos atores selecionados (que incluem uma beldade francesa, Mesquida), Cassavetes aproxima Kiss of Damned de Fome de Viver – quase conseguindo recriar as atmosferas glamourosas que faziam a graça do filme de Tony Scott. Por outro lado, a obra ressente-se de uma história um tanto pobre, cujo conflito depende exclusivamente da ação da vampira Mimi e onde nem tudo o que ela faz pressupõe um necessário sentido de lógica. Nada disto impede, no entanto, que o filme tenha uma beleza muito particular.
O Melhor: a concepção visual e a montagem
O Pior: não traz maiores inovações e o conflito é limitado

Roni Nunes

