Com um dos mais aliciantes pontos de partida da história cinematográfica recente, o grande desafio do realizador espanhol Gonzalo López-Gallego, do controverso Apollo 18, foi como gerir as infinitas possibilidades que reuniu num primeiro terço de tirar o fôlego. Um homem (Sharlto Copley) acorda num enorme buraco rodeado de cadáveres. Após uma personagem misteriosa atirar-lhe uma corda, ele vai dar a uma casa onde um grupo de pessoas discute o seu futuro. Impondo à força a sua presença entre eles, descobre que todos têm algo em comum: a perda da memória.
A partir daí dá-se início a uma vertiginosa corrida para o passado, onde as personagens movimentam-se às cegas e sem identidade psicológica por uma paisagem que aos poucos vai se revelando pródiga em horrores diversos. Cercados num isolamento claustrofóbico, desenvolve-se uma história onde eles buscam soluções para um conflito que desconhecem, assim como para as soluções que nem sequer sabem ao certo se existem. O argumento de Chris Borey e Eddie Borey vai ministrando aos seus personagens e aos espetadores doses calculadas de pistas – ora em caves ou espaços abandonados na floresta, ora através dos insights de memória que eles vão tendo.
Para além destas possibilidades permitirem um suspense constante, rompe aqui e acolá episódios de extrema brutalidade. Com uma gestão equilibrada de violência gráfica e terror psicológico, Gallego extrai o máximo efeito de cadáveres putrefactos, estacas a perfurar pescoços, sadismos e, principalmente, pessoas que já deixaram bem longe atrás de si as fronteiras da sanidade e a sua própria humanidade.
Nem sempre evita algumas previsibilidades e a perda de intensidade no último terço é inevitável. Porém, no todo é um filme bastante satisfatório.
O Melhor: o equilíbrio entre as violências gráfica e psicológica; o argumento
O Pior: perde gás no último terço

Roni Nunes

