MOTELx: «Wither» por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

Uma das façanhas do primeiro terço de Wither é fazer esquecer que se trata de mais um filme onde um grupo de jovens vai parar a uma casa desabitada no meio da floresta. A estas alturas já se sabe, pela sequência de abertura, que ela não está recheada apenas de móveis empoeirados.

Outro mérito dos realizadores Sonny Laguna e Tommy Wiklund no seu segundo trabalho é fazer um filme a sério de zombies sem cair na paródia e conseguir ser credível. Pelo menos até onde tudo não se tornou demasiado explícito, a tensão é bem conseguida – tarefa facilitada pelo uso de um único ambiente – com poucas saídas para o exterior.

O problema é que, na medida em que o filme vai avançando, torna-se demasiado evidente a pobreza franciscana do argumento, cuja incapacidade de oferecer possibilidade efetivas aos personagens (e aos espectadores) impedem uma evolução dramática do enredo.

Isto gera um filme quase inteiramente baseado na ação, onde a imaginação tampouco é abundante – com os personagens a fazer coisas tão previsíveis quanto estúpidas. A partir de um certo ponto, as lutas físicas constantes e o gore abundante não evitam a monotonia e o desinteresse. Diversas situações destituídas de lógica (final incluído) terminam por arruinar um filme que se sustenta pela caraterização visual bastante eficaz.

O Melhor: ser um filme de zombies a sério e visualmente eficaz
O Pior: o argumento pobre e repleto de incoerências


Roni Nunes

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